Canto do Nema

Após uma agradável pernoite na vila do Bonete, seguimos cedo para o segundo dia da travessia Bonete Castelhanos.

A brisa que vinha do mar ajudou a refrescar aquele início de caminhada durante a subida do morro logo ao fundo da vila.

Parando para tomar folego ficamos apreciando a vida simples e calma naquele Canto do Nema.

Os barqueiros iniciando suas ocupações numa quietude só com as pequenas embarcações descansando as margens do Nema.

De volta a travessia, espreitamos novos ventos que trouxeram vigor aos andarilhos.

Trilha do Bonete

“Pode-se ir de barco, mas o bom mesmo é curtir a trilha parando nas cachoeiras e no final descobrir uma praia quase deserta e ainda prosear com caiçaras no Canto do Nema.”

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O trekking é considerado nível alto devido os constantes desníveis ao longo dos 12 km de trilha em terreno acidentado.

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Deixamos o carro no estacionamento do Zé da Sepituba. De mochila cargueira partimos da Ponta da Sepituba, sul de Ilhabela, em direção à praia do Bonete. Dia perfeito para caminhar, de temperatura amena e quase sempre na sombra das árvores.

Após 2,5 km de caminhada chegamos na cachoeira da Lage. Aqui paramos no poço onde forma um tobogã natural. Como sempre fomos atacados por borrachudos, então o jeito foi ficar o maior tempo possível dentro d’água.

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“A trilha larga deixou o registro da tentativa de se fazer uma estrada até a vila do Bonete. Em 1977 foi regulamentado como área de parque estadual, garantindo assim a preservação.”

A próxima parada foi na cachoeira do Areado após 4 km de trilha e depois mais 3,5 km para chegar na cachoeira do Saquinho. Agora está fácil e mais seguro a transposição desses cursos d’água com as Passarelas Pênsil construídas nesses últimos anos.

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A beleza da mata atlântica e suas águas cristalinas ao longo da trilha são contagiantes e têm seu ápice na chegada ao Mirante do Bonete. Desse ponto podemos entender porque é considerada praia de surfista.

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Na praia, do lado direito é conhecido como Canto Bravo e no outro extremo o rio Nema, local onde abriga o rancho de canoas, conhecido como Canto do Nema. Na encosta acima vemos o Mirante da Barra e das Enchovas. Ao fundo a Ponta do Boi.

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Desta vez fomos surpreendidos por uma ressaca do mar que formava grandes ondas disformes e que nenhum surfista quis encarar naquele dia. Depois descobrimos que seria noite de lua cheia.

“Na sombra das Amendoeiras espreitamos a praia iluminada. A noite se desfez na grande lua cheia!”

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Lugar rustico que abriga uma tradicional comunidade caiçara que vive da pesca e turismo, onde a simplicidade e tranquilidade são o cartão de visita.

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Distante dos tempos quando foi inicialmente habitado pelo sesmeiro Antônio Bonete em 1608, nos dias atuais ainda resiste a loucura da urbanidade desregulada.

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“Sem carro, sem sinal de celular, a luz de vela e banho de água fria. Assim é o Bonete, feliz na sua simplicidade!” 

Canoa de Voga

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A canoa de voga é esculpida a partir de um único tronco de árvore do guapuruvu, cedro ou jequitibá, e chegava a ter 20 m de comprimento por 2 m de largura. O conhecimento da construção foi transmitido oralmente pelos nativos que habitaram a região.

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Ainda hoje vemos nas comunidades caiçaras a canoa de voga como meio de locomoção. No início era canoa a remo, então se acrescentou a vela dando origem ao nome, e depois adaptada para motor.

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No período colonial a canoa de voga foi muito utilizada para transporte de material para construção dos engenhos e fazendas, como também, transporte de açúcar, café e aguardente para as embarcações da época.

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Para Santos e Rio de Janeiro, transportavam tabaco, aguardente e uma infinidade de frutas, hortaliças, aves, ovos, cabritos, esteiras, objetos de barro, além é claro, de passageiros. Retornavam com arroz, feijão e carne. Ainda hoje são usadas para pesca e transporte de pessoas e produtos.

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A canoa de voga resiste aos tempos modernos de embarcações a motor, construída em fibra ou alumínio, onde o rigor da legislação ambiental proíbe o corte de árvores e a constatação da falta dos antigos mestres canoeiros.

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A canoa de voga é símbolo da relação de harmonia do caiçara com a natureza. Da mata que provê água doce, alimento e madeira como recurso para o caiçara adentrar ao mar em busca do pescado e se locomover entre as praias, ilhas e continente.

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Existem várias comunidades tradicionais caiçaras tanto no interior como no entorno do Parque Estadual de Ilhabela. Algumas comunidades estão no Saco do Sombrio, Bonete, Castelhanos, ilhas da Vitória e dos Búzios.

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Então nas trilhas pudemos ouvir historias fantásticas de viagens, contadas através de gerações, das lembranças dos caiçaras… Que marcam o ritmo da remada, esperam o melhor vento ou trançam a rede no Canto do Nema.

Trilha das Sete Praias

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No verão descemos a serra em direção as trilhas no litoral norte de São Paulo. Lugar de praias preservadas, algumas desertas.

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Iniciamos na praia da Lagoinha caminhando em poucos minutos até a praia do Perez. Atravessamos a praia do Bonetinho, passando por uma pequena vila de pescadores, em direção a praia do Bonete.

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Entre morros escondidos na mata, chegamos num mirante que revela a Enseada do Mar Virado. A praia do Cedro é um espetáculo a parte. Com sorte avistamos golfinhos ou tartarugas nadando próximo a praia. Parada obrigatória para banho de mar. A praia Deserta pode ser vista no costão rochoso da praia do Cedro.

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Na etapa final seguimos até a Ponta da Fortaleza, local onde a força da natureza pode ser observada pela magnífica vista do mar oceânico e pela imponência das ondas batendo no costão rochoso. O final aguarda a praia da Fortaleza para um descanso merecido.

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A caminhada é feita na mata atlântica, alternando trechos de areia, rocha e trilha na zona costeira com trechos de subida e descida de morros.

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Local: Ubatuba / SP