Caminhando na Areia

Caminhando na areia deixamos pegadas…. Abençoados com um lindo dia de sol e temperatura amena. Iniciamos a travessia da ilha pelo lado do Atlântico Sul de águas oceânicas e agitadas. Com pensamento leve, deixamos pegadas ao atravessar aquelas praias desertas e isoladas. Ao adentrar as matas, entre morros, atravessamos terrenos rochosos, regatos, riachos, bambuzais e desviamos de muitas árvores caídas ao longo da trilha. Aventura de verdade, para limpar a alma e atiçar os sentidos, reativando os estímulos naturais e selvagem do ser. No final do dia, sentimento de missão cumprida e alegria ao chegar na praia de Parnaióca.

Com pegadas na areia deixamos…. Nossos pensamentos ao vento. Na travessia de barco até o Aventureiro a mente ainda surfou nas ondas de pensamentos daninhos, mas na caminhada do dia seguinte as preocupações ficaram ausentes. A ansiedade, comum no dia a dia da cidade, sumiram a beira-mar. Agora sim, realmente conectado ao meio. Após almoço em Dois Rios, subimos a trilha-estrada em direção a vila de Abraão. Debaixo de chuva torrencial, aceleramos os passos sem fraquejar sob as águas escorrendo na estrada. Chegamos encharcados, cansados e felizes no vilarejo de Abraão. Uma travessia que lavou o corpo e a alma!

Ciclo da Natureza

ESCURO – A noite chegou sob total escuridão. Então calmamente esperamos pela luz da lua. Ela clareou toda a orla. Um evento tão comum, e ficamos mais uma vez surpreendidos pelo luar. Perfeita sintonia entre claro-escuro.

SOMBRA – Bem antes da noite virar dia, no horizonte um faixo luminoso despontava atrás do monte. Mais uma vez o sol tomara o lugar da lua. Por um momento, lua e sol compartilharam do mesmo céu.

CLARO – Amanheceu! Humildemente agradecido pelos primeiros raios de sol. Manhã de pura juventude. Aquecido e renovado. Conexão feita. Energia fluindo. Um novo ciclo se renovou. Aurora radiante diante de olhares incrédulos.

AURORA – Saímos para fora para apreciar aquele instante. Rapidamente aquecidos.  Dia iluminado, iluminando o caminho. Agradecido de corpo e alma. Alegria e brilho interior. Com o sol na Terra, fez se a luz!

OCASO – Chegou o entardecer. Mais um ciclo se completou. Acontece todo dia mas quase não percebemos. Um espetáculo da natureza. Admirável e maravilhosa dualidade da vida.

Novo Milênio

” Em toda viagem somos marcados por algum acontecimento especial e sempre desejamos que seja bom “

Em Angra dos Reis no cais dos pescadores, embarcamos com moradores da praia do Aventureiro. Nosso destino em mais um trekking na Ilha Grande.

Partimos lentamente atravessando a baia entre belas e pequenas ilhas como Botinas e dos Porcos. O dia estava ensolarado, brisa levemente fria e mar calmo.

É sempre bom voltar no lugar onde um sonho foi realizado. Desta vez, eu vi um sonho nascendo no olhar de uma criança. Como seus pais pareciam ser amigos de todos no pequeno barco e principalmente do capitão, a criança estava bem à vontade.

O menino parecia ter um olhar de cumplicidade com o mar, com suas fantasias de criança. Um sorriso sincero. Parecia estar cochichando com o vento em planos sendo traçados nas marolas da travessia.

Tomara que o peso da idade e das responsabilidades naturais da vida, os sonhos não sejam abandonados na imensidão do mar. Que as frustrações não deixem os sonhos perdidos ao vento. Que aquele olhar longe seja apenas a esperança crescendo dentro do peito.

No meio da jornada o capitão chama o menino para dentro da cabine. Então ele assume o comando da embarcação. Um tímido sorriso se desenha naquela face. Havia uma magia naquele olhar. Um novo olhar para o horizonte de quem nasceu em um novo milênio.

Aventureiro

Saindo de Araçatiba e após a praia Vermelha iniciei uma subida. Tentava manter um passo cadenciado apesar do coração acelerado e respiração ofegante. O suor escorria pelo rosto e o pensamento buscava por mais oxigênio.

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Em alguns minutos de descanso… A mata antes em silêncio se agitava numa sinfonia de sons. A vegetação tropical, quente e úmida, exalava aromas indescritíveis em meio ao contraste da luz matinal. Corpo e mente vivenciando a sutileza da energia da vida. Um gole d’água era motivo de muita satisfação. A beleza das coisas simples em instantes de puro prazer de observação.

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A descida percorreu um caminho aberto até a vila de Provetá. Após um breve descanso, procurei o próximo morro que indicava a trilha em direção ao Aventureiro. O caminhar foi lento sob os olhares incrédulos de alguns caiçaras que construíam um barco. Do alto, uma bela visão das embarcações repousando naquela tranquila enseada. Na orla da praia um bando de urubus com asas abertas corriam contra o vento. Tudo para me distrair com aquele morro que nunca parecia terminar.

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Atingi a crista do morro em quase uma hora de subida. No caminho de descida a mata escondia a belíssima praia do Aventureiro e as poucas casas das pessoas que viviam naquele canto da ilha. Chegando a praia avistamos o momento em que pescadores arrastavam uma grande rede de pesca à beira-mar.

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O acampamento no alto do morro nos privilegiou com um amanhecer espetacular!

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Entre dezenas de trilhas, aquela me levou a um dos vários paraísos de Ilha Grande. Um lugar tranquilo de praia de areia fina, cingida por um mar azul oceânico. A única agitação vinha dos ventos e das ondas.

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