Lua Cheia

Após um longo dia de caminhada, montamos acampamento ao entardecer. Era sabido que teríamos em destaque a Lua Cheia no céu daquele final de semana.

Ela chegou durante o preparo do rancho. Timidamente saiu detrás das árvores na crista da serra. Pura admiração pela sua grandeza inundando o céu noturno.

Como sempre, a mesma face iluminada. Desta vez plenamente iluminada. Deixou o acampamento e arredores bem claro, nem foi preciso usar lanterna.

A noite ficou estonteante. Momento de contemplação e pensativo.

Desde tempos imemoriais a Lua Cheia desperta paixões e inspiração no Homo Sapiens. Foi deusa na antiguidade e continua influente no ciclo da natureza, na fertilidade dos seres vivos e no movimento e ritmo das marés. A Lua Cheia é união entre Yin e Yang, sinônimo de abundancia e natureza básica das emoções e sentimentos.

Após horas sob o luar, era como refletir luz própria. Estava pleno de energia. Era a existência humana em sintonia com o cosmos e a natureza.

No final da madrugada me levantei. Para meu espanto me chamou atenção um ponto expressivamente iluminado no céu noturno.

Estava bem alto, à Leste. Era Vênus o planeta mais brilhante no céu visível. Ele ficou por lá até antes do amanhecer.

Por toda noite a Lua Cheia correu o céu e foi cair do outro lado atrás das colinas. Vênus foi desaparecendo com o amanhecer.

Enfim, o Sol começou a despontar num facho de luz radiante. Era o princípio de um novo e brilhante amanhecer.

Pernoite no Queixo da Anta

A caminhada começou por volta do meio dia quando nos despedimos da Dona Ricardina. Neste momento a mochila cargueira nem parecia pesada apesar da água, comida e equipamento para pernoite no Pico Queixo da Anta (1.740 m de altitude).

Subimos pela encosta íngreme, dentro da mata, até atingir a parte rochosa. Ao atingir a crista da montanha, avançamos em direção a parte mais alta da pedra. Neste ponto já podíamos ver no horizonte a cidade de São José dos Campos.

Na sequência, descemos com corda uma pequena encosta rochosa. Terminamos a caminhada em 2 horas. Preparamos o local do acampamento e almoço. Era começo da tarde e no horizonte se podia vislumbrar que o poente seria incrível.

Ao percorrer com os olhos as diversas serras não pude deixar de admirar o formato peculiar da Pedra Bonita (2.120 m de altitude). Como o sol se encaminhava para o poente havia chegado a hora de voltar para a ponta da pedra.

Como um presente, bem abaixo na mata, do lado esquerdo da pedra, havia um bando de muriquis saltando na copa das árvores. Com o zoom da máquina vi a movimentação engraçada dos macacos.

Então voltei minha atenção para o céu alaranjado. Graciosamente a silhueta do Queixo da Anta se refletiu na colina ao lado. Na boa prosa ficamos vendo aquele espetacular pôr do sol.

Ao cair da noite, a lua nem incomodou o céu estrelado e as luzes de São José dos Campos e São Francisco Xavier.

Naquela mesma colina que havia anunciado a silhueta do Queixo da Anta, na manhã seguinte um facho de luz se projetou detrás dela, clareando todos os montes a frente. Era o prenuncio de um dia de céu de brigadeiro.

Na observação a vista alcança o ponto na serra onde os eucaliptos indicam o local do Mirante de São Francisco Xavier (1.950 m de altitude) e na elevação seguinte a Pedra Partida (2.050 m de altitude).

Como é bom pousar nas Montanhas da Mantiqueira!

O Pingo e a Suzi

Eles sempre estão por perto ou aparecem do nada. As vezes estão perdidos, mas logo seus donos aparecem, como também se estivessem perdidos. Em outras, eles chegam bravos, dá vontade de sair correndo, mas logo começam a abanar o rabo, e me lembro da máxima do mundo animal onde um cachorro balançando o rabo é um cachorro feliz.

Legal quando eles podem ir na caminhada. Se ficam para pernoitar, fantástico! O mais legal mesmo é se eles não são nossos animais de estimação, e ficam com a gente. Acho que é uma demonstração de confiança.

Uma lembrança inesquecível foi na Travessia do Vale do Pati, Chapada Diamantina/BA, quando o “Jesus”, isso mesmo, era o nome dele, foi nosso cão guia durante quatro dias de trekking.

Desta vez, tivemos a companhia do “Pingo” e da “Suzi” no trekking com pernoite no Pico Queixo D’Anta em São Francisco Xavier/SP.

Ambos estão acostumados com a subida até o pico. Com frequência saiam em disparada para dentro da mata e depois reapareciam em outro ponto na trilha. Eles estavam sempre a nossa frente, como que parecendo fácil a trilha que sobe a encosta da montanha.

No acampamento, o “Pingo” em alerta!

Hora da foto oficial.

O “Pingo” sempre nas beiradas.

Enquanto que a “Suzi” queria carinho …

… E também uma foto oficial.

Mas na hora de ir pra cama, o “Pingo” foi o primeiro.

No dia seguinte, uma soneca antes de descer a montanha.

Caminhar ao Pôr-do-Sol

“O caminhar ao pôr-do-sol é um elixir de energia vital”

Entre um e outro pôr-do-sol, todos são diferentes e igualmente espetaculares! A leveza com que ele chega, em minutos se desfaz no horizonte. Por um instante a caída da luz em tons de cores laranja, aquece o coração.

Mais um presente da vida. E mais outro, quando as andorinhas sobrevoam e se recolhem aos bandos em suas tocas na rocha. No céu escuro, do outro lado lá vem a Lua para iluminar nossos pensamentos. E mais luz se faz no firmamento, tão distantes estes outros mundos dos astros, chegam a transbordar o céu, a nossa Via-Láctea.

Quantos presentes recebemos a cada instante. Sem perceber, renovamos as forças sublimes. Retomamos um pouquinho da nossa essência espiritual. Vem o sorriso natural que acalenta a esperança e determinação na busca da felicidade, com gratidão pelo que se tem e se conquistou até o momento. São pequenas coisas, simples, no agora, a cada instante. Necessário nos dias atuais.