Vassoura de Bruxa

Em tempos modernos peguei minha bike e instalei uma “vassoura de bruxa”. A magia está no ar.

Mais paciente no pedal desse mundo louco. A velocidade me alegra mas posso me dar mal se passar dos limites. A energia flui e quase sempre freio menos que acelerar demais. Na calma vejo os detalhes. O novo aparece em preto e branco e colorido. Vale a pena parar para ver o todo. A liberdade simples. Ir adiante sem olhar para trás. Equilíbrio constante para não se importar com os obstáculos e o desconhecido.

Nesses tempos onde a bruxa anda solta, é melhor estar equipado com esse novo acessório (risos) para ir adiante, traçar novos caminhos e objetivos.

Endurance 50K – Paraty

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“Declaro, no perfeito uso de minhas faculdades mentais… Assumindo todos os riscos envolvidos na participação e suas conseqüências… Conheço meu estado de saúde físico e mental…”

E assim começa o termo de responsabilidade de uma prova de “endurance”. A primeira vez que li achei um exagero, mas tenho convicção que é muito mais que assinar um papel. É preciso plena consciência do seu estado físico-mental e dedicação aos treinos para estar apto ao desafio.

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Ser auto-suficiente é fundamental neste tipo de prova. Além dos suprimentos disponibilizados pela organização, é prudente levar uma reserva para hidratação e reposição de nutrientes. Sem contar que nesta prova cada atleta levou um kit de segurança obrigatório.

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Na arena da largada era transparente a ansiedade de alguns atletas. Então, os atletas tomaram as ruas de pedra “pé-de-moleque” do centro histórico de Paraty contornando a Igreja Matriz em direção ao desafio dos 50 km.

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Deixando os casarões antigos para trás a corrida seguiu em direção a BR-101 sentido Ubatuba. Percorrido quilômetros no asfalto até sair por uma estrada de terra em direção ao interior da Serra do Mar.

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Caminhos de terra, trilhas em meio à mata, regatos e rios atravessaram. Morros intermináveis e descidas insaciáveis corroíam a resistência dos menos preparados. Atletas ficarem pelo caminho. Muitos resistiram ao calor e alta umidade do ar. Parecia insanidade… Mas era obstinação, coragem e resiliência.

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Corrida que passou pela história antiga de um Brasil de rodas d’água que movimentaram engenhos de cana-de-açúcar e de belezas naturais como a APA do Cairuçú. Caminhos de natureza exuberante em meio a simplicidade de moradores humildes, de sorriso reservado, alguns mais acanhados outros mais prestimosos.

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Enfim, declaro perfeito uso de minhas faculdades mentais. Agradeço a companhia dos amigos de corrida. Celebro com o coração feliz e algumas dores musculares mais este desafio superado.

Fotos: Adventuremag – Wladimir Togumi.

Pernoite na Macela

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Como todo ano, começamos com as trilhas fáceis e por isso, não menos belas que as mais difíceis. Escolhendo a dedo um final de semana com lua cheia, seguimos para Cunha em direção a Pedra da Macela.

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Na rodovia Cunha – Paraty Km 66 saímos por uma estrada de terra ladeada por sítios. Após 4 km chegamos ao portão de FURNAS que mantêm no cume uma antena retransmissora. Deste ponto é proibido o acesso de veículos particulares.

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Mochilas prontas! Água suficiente para um dia. Roupa de frio de menos, comida demais e um bom vinho. Ótima previsão do tempo. Então, por uma estrada pavimentada seguimos 2 km de subida.

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Hora antes do crepúsculo, o céu anunciava o pôr do sol de uma lado e a lua cheia do outro! Espetáculo a parte foi o nascer do sol atrás da Ilha Grande. O jeito foi parar tudo e contemplar cada momento.

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No topo a 1.840 m de altitude, a paisagem pode ser apenas um mar de nuvens. Entretanto, com um céu de brigadeiro, abriu-se uma vista espetacular das montanhas de Cunha, a histórica Paraty, Angra dos Reis, Ilha Grande e suas baías e ilhas.

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Boa semana!

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Dia de Longão

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Longão ou treino longo. Às vezes queremos fugir dele, mas se estiver inscrito numa prova de longa distância é fundamental tê-los em sua planilha de treino. Então faltando três semanas para a prova de Endurance 50K em Paraty, chegou o dia do último longão após quatro meses de treino.

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Era domingo, madrugada nublada, temperatura amena e garoa iminente. Com lanterna de cabeça e mochila com água, isotônico e gel energético, saímos do Centro Comunitário Alto da Ponte em direção a estrada do Sertãozinho.

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Depois seguimos pela estrada de terra conhecida como Walkilandia até a SP-050 que liga São José dos Campos a Monteiro Lobato. Após o Km 108 saímos por uma estrada atrás do Clube de Campo Cisne Real. Um percurso que alterna subidas, descidas e trechos planos.

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Com um ritmo suave, breves momentos para alimentação e hidratação, assim terminamos o treino com alguma energia reserva. Isso reduziu um pouco a intensidade, mas não alterou o resultado final de um longão de 38 km em quatro horas de treino.

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Longão é… Estratégia, acostumar o corpo a uma exigência física adicional para aumentar a resistência e desenvolver a mente para aguentar correr por mais tempo.

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Fotos: Website Corridas de Montanha

Parque Nacional da Serra da Bocaina

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Percorrer os caminhos da Bocaina é voltar na história e cultura da interiorização no Brasil. Os caminhos e trilhas estão dentro do Parque Nacional da Serra da Bocaina (PNSB), criado em 1971, localizado nos municípios de São José do Barreiro, Cunha, Ubatuba e Areias em São Paulo e Paraty e Angra dos Reis no Rio de Janeiro.

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No inicio apenas uma trilha indígena… Depois, no século XVIII, com o modelo exploratório do ouro e diamante, caminhos foram abertos para enviar as riquezas a Portugal. Atualmente o PNSB tem dificuldades com a caça predatória, desmatamentos e o extrativismo predatório do palmito.

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Ao longo do século XIX com o desenvolvimento do ciclo do café no Vale do Paraíba, foram construídos, pelos escravos, calçamentos de pedras. Facilitava tanto o escoamento do café como trazia mercadorias serra acima. Hoje estes calçamentos representam um  atrativo histórico nos caminhos da Bocaina.

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Outro atrativo é a biodiversidade, espalhada num grande corredor ecológico da serra ao mar. Da restinga no litoral, floresta tropical, despenhadeiros, grotões e campos nativos até o ponto culminante a 2.088 metros no Pico do Tira Chapéu. Abriga animais de grande porte como o mono-carvoeiro, macaco-prego, bugio, tamanduá-mirim, capivara, veado-mateiro, onça pintada e uma rica ave-fauna. Tudo isso mergulhado num clima úmido e sub-quente podendo chegar a 0º C no inverno.

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As paisagens inconfundíveis da Serra da Bocaina diferenciam claramente da Serra do Mar. Numa imensidão de morros esverdeados entre araucárias e pinheiro-bravo entrecortados por nascentes de águas cristalinas que se avolumam em riachos, cachoeiras e rios caudalosos até o encontro com o mar.

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Os principais atrativos naturais na Serra da Bocaina são as cachoeiras Santo Isidro, das Posses, do Veado, o rio Mambucaba e a famosa Trilha do Ouro que sai de São José do Barreiro até o sertão de Mambucaba, litoral entre Paraty e Angra dos Reis.

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Certamente todos estes caminhos contribuíram para a integração das culturas caipira e tropeira do Vale do Paraíba com a cultura caiçara do litoral de Paraty.

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Local: Parque Nacional da Serra da Bocaina / SP e RJ