Filho Águia

” Os filhos são como as águias, ensinarás a voar mas não voarão o teu voo. Ensinarás a sonhar, mas não sonharão os teus sonhos. Ensinarás a viver, mas não viverão a tua vida. Mas, em cada voo, em cada sonho e em cada vida permanecerá para sempre a marca dos ensinamentos recebidos. “

Madre Teresa de Calcutá

Pássaros da Imaginação

Próximo ao cais de Paraty Mirim, iniciamos a trilha atravessando o morro para caminhar na margem direita do Saco do Mamanguá. Fizemos curtas paradas nas praias das Pacas, Grande, Bica, Pontal, até chegar na praia da Curupira, após quatro horas de caminhada.

Além da beleza singular da praia da Curupira, nos chamou atenção a escolinha, com belas pinturas nas paredes e no chão, de animais e pássaros da mata, colocando o aprendizado no visual do dia a dia das crianças. Havia também placas com frases valorizando a natureza, a família, o caiçara; E suas coisas como a “canoa caiçara”.

Uma pena não poder conversar com a professora e alunos, pois a escolinha estava fechada devido as férias escolares.

Muita criatividade e cores nos desenhos. Até desenharam e pintaram pássaros da imaginação.

João-de-Barro

Nas andanças pelo sul de Minas, nos arredores de Conceição dos Ouros, um casal trabalhava em sua obra. Dizem que é um pássaro que não trabalha na construção do ninho aos domingos, mas este casal se revezava na construção. Com a minha presença, um se foi e o outro ficou meio que defendendo o ninho de barro.

Os Avá Guaraní contam assim a origem do joão-de-barro:

“A jovem Kuairúi havia se enamorado de Tiantiá, um valoroso guerreiro. Queriam casar, mas o cacique Tabáire, pai de Kuairúi, não permitiu, porque a despeito de sua bravura Tiantiá não sabia construir uma cabana. Assim foram transformados em pássaros que ajudam um ao outro na construção do ninho”. Fonte: Wikipedia.

Ataque dos Guanambis

Naquela madrugada de julho a geada havia caído nos campos com toda força. O registro das temperaturas havia marcado 5°C abaixo de zero. O dia anunciava um sol preguiçoso que se despontada atrás das colinas trazendo o calor que todos esperavam.

Assim que os raios de sol aqueceram aquele recanto da floresta, houve uma enxurrada de Guanambis por todos os lados. O zumbido do bater das asas ressoava aqui e ali. Em voos rápidos davam rasantes na busca do néctar das flores. Em manobras aéreas invejáveis, com paradas no ar e marcha a ré, mudavam a direção do voo instantaneamente.

O despertar daquelas avezinhas na serra da Bocaina energizou o ambiente com o agito de outros pássaros ao redor. Naquela altitude, a 1.600 metros, a natureza já estava toda desperta, viva e radiante! 

Haviam espécies diferentes naqueles voos frenéticos. A plumagem colorida brilhava como cores do arco-íris ao reflexo da luz do sol. Às vezes, as avezinhas descansavam nos galhos dos arbustos reservando energia para voltar ao delicado ataque as flores.

Aqueles zumbidos alados eram como verdadeiros mensageiros dos deuses. A vida sendo germinada nos ares, de planta em planta, de um néctar para outro.

O ataque dos Guanambis foi uma celebração a vida nas montanhas da Bocaina.

PS: Guanambi, em tupi-guarani, significa “beija-flor“.

Sentinela de Pedrinhas

Ilha Comprida se alonga por 74 km de praias numa altimetria plana. A ilha revela mares de dentro e de fora, matas de restinga, dunas e vilas caiçaras. Umas das vilas mais tradicionais é Pedrinhas, ao sul da ilha.

Em Pedrinhas fotografei o Savacu-de-coroa. Uma bela ave com altura de até 70 cm. Esta ave apresenta uma coloração amarela na região da testa. A lateral da cabeça é preta e tem uma mancha branca logo abaixo dos olhos. Parecia um sentinela de Pedrinhas.

Ilha Comprida é considerada uma importante região para preservação de aves. Nos diversos biomas da ilha já foram fotografadas 274 espécies de aves.

Me Leva Beija-Flor

… Me leva para onde você for.

Que ave fantástica

Encontrada nas três Américas. É conhecida por uma diversidade de nomes como Colibri, Cuitelo, Guanambi, pica-flor, chupa-flor, chupa-mel, beija-flor entre outros. Em inglês, “hummingbird”, onde “humming” significa zumbido, do bater das asas.

Tão pequeno

Parece frágil mas tem uma força fantástica. Sua estrutura esquelética muscular permite voo extremante rápido e ágil. Única ave que consegue ficar parada no ar ou voar em marcha-ré. O batimento das asas pode chegar a 200 vezes por segundo dependendo da direção do voo e condições do clima. O ritmo cardíaco é cerca de 1.200 batidas por minuto. Por isso o beija-flor precisa se alimentar em média 5 a 8 vezes por hora.

Especialista no meio em que vive

Todas as cerca de 325 espécies, tem um bico adaptado para se alimentar conforme o meio ambiente em que vive. Por outro lado tem uma característica comum que é a língua bifurcada e comprida para extrair o néctar das flores (são polinizadores) sendo que algumas espécies comem moscas e formigas. Sua visão é muito aprimorada, além de identificar cores podem detectá-las no espectro ultravioleta.

Beleza notável

De plumagem brilhante e colorida. A coloração é causada por fatores como nível de luz, umidade e principalmente pela iridescência na disposição das penas que é um fenômeno óptico que faz certos tipos de superfícies refletirem as cores do arco-íris.

Mensageiro dos deuses

O beija-flor é conhecido como um mensageiro dos deuses e tem na mitologia grega a deusa Íris na personificação do arco-íris e mensageira dos deuses para os seres humanos. Esta ave também simboliza alegria, cura, delicadeza e energia. Um ser mágico que para os nativos da América representam força e harmonia. Para os nativos Hopis, dos EUA, personificam um herói que salva a humanidade da fome visto que o Guanambi intervém na germinação das plantas. Ao passo que os nativos da Colômbia, os Tukanos, atribuem ao Colibri a virilidade porque copulam com as flores.

Asas ao Vento

Como passageiro no mundo, busco o vazio que sempre me consome. Preso as correntes da rotina, o importante é o agora.

Então a águia voa alto na esperança de tempos melhores.

Entre voos altos e tantos outros rasantes, o medo é irrelevante. Como dessa vida não se leva nada, é hora de novos olhares para desaparecer nas nuvens.

E deixar os ventos alterados para trás.

O céu nem sempre está azul. O sentimento volita em novos ares. Asas ao vento, eu quero voar. Aqui não quero ficar.

Lá do alto… Aqui em baixo é tão fútil.

O pensamento anda de mãos dadas com o bem e o mal. Atenção nas armadilhas do ego. Minha alma clama, preciso voar.

Daí encontro o pensamento no abismo do silencio para o resgate de mim mesmo.

Energia da Serra

Como toda longa jornada, ao final da missão cumprida o cansaço espreita os limites da resistência. Hora de recolhimento para recompor as forças e o equilíbrio.

Então subi em direção a um refúgio distante 5 km do centro de Campos de Jordão. Bem no meio da serra, onde todas as criaturas vivas, dos animais aos pássaros, da floresta aos riachos, estão conectadas.

A compensação é caminhar ou correr. Numa delas, passei em frente a Gruta dos Crioulos e subi o Pico do Imbiri.

Na descida confundi os caminhos até chegar a estrada do Campista para poder retornar ao refúgio.

Protegido pelo refúgio, amparado no conforto da família e amigos, chegara um novo entardecer de tranquilidade e silencio.

Com a energia renovada tudo ressalta os sentidos.

Toda manhã, na copa das árvores, lá estavam o Canário-da-Terra, o Asa-Branca e o Jacu perambulando de galho em galho.

Enquanto que empoleirado nas araucárias, as Maritacas e casais de Tucano-de-Bico-Verde faziam suas algazarras.

Na mata distante ouvi macacos e o Caxinguelê passou ligeiro, subindo e descendo árvores, em busca de alimento.

Que sensação boa estar conectado com a energia da serra!

Beija-flor-do-tepui

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O trekking ao Monte Roraima reservou surpresas inesquecíveis! A começar pela imponência deste tepui que tem um platô com uma superfície em torno de 40 km² cercado por falésias.

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A chegada ao topo mostrou um ambiente bem diferente da savana e florestas tropicais que estão ao entorno. Este tepui foi escalado somente no final do século XIX por uma expedição britânica. Desde então, ocorreram diversas incursões para pesquisa de sua fauna e flora com alto grau de endemismo.

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No hotel índio, local onde montamos acampamento, avistei um beija-flor pousando num arbusto. O que chamou atenção foi o som abafado do voo ligeiro do pássaro. Tentei fotografá-lo, mas a minha movimentação afugentou o beija-flor-do-tepui.

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O seu habitat natural são florestas subtropicais e tropicais de baixa altitude. Como aquele pássaro conseguiu voar a uma altitude média de 2.700 metros? Outra surpresa é o tamanho em torno de três a quatro vezes maior que outros beija-flores.

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Certamente aquela seria a primeira e ultima aparição, mas novamente algo inusitado aconteceu quando visitamos o El Fosso. Na busca de uma foto mais ampla, explorei os arredores subindo nas pedras que contornavam o local.

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Na saída do El Fosso fiquei um pouco atrás para passar protetor solar e parei numa pedra. Num instante, surgiu o beija-flor-do-tepui de voo rápido e extremamente ágil. Fiquei extasiado, pois o animal ficou cara a cara, as vezes imóvel no ar ou fazendo manobras para frente e para trás.

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Se não bastasse o bicho pousou na minha cabeça, na aba do boné. Alguns segundos pareceram uma eternidade! Fiquei imóvel, tentando sinalizar para que alguém vice aquela cena.

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A natureza no tepui é generosa e fiquei muito grato pelas experiências vividas durante aqueles dias no platô do Monte Roraima. No entanto faltou a foto daquele esplêndido beija-flor-do-tepui.

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