Pássaro Inventado

Próximo ao cais de Paraty Mirim, iniciamos a trilha, subindo e descendo o morro, para caminhar na margem direita do Saco do Mamanguá. Fizemos curtas paradas nas praias das Pacas, Grande, Bica, Pontal, até chegar na praia da Curupira, em quatro horas de caminhada.

Estes caminhos nos levaram a lugares espetaculares, de praias desertas, água mansa e límpida; E descobertas como a que vimos na Escola Municipal Domingos Gonçalves de Abreu.

Além da beleza singular da praia da Curupira, nos chamou atenção a escolinha, com belas pinturas nas paredes e no chão, de animais e pássaros da mata, colocando o aprendizado no visual do dia a dia das crianças. Havia também placas com frases valorizando a natureza, a família, o caiçara; E suas coisas como a “canoa caiçara”.

Uma pena não poder conversar com a professora e alunos, pois a escolinha estava fechada devido as férias escolares.

Muita criatividade e cores nos desenhos. Até desenharam e pintaram pássaros inventados.

Braços Abertos

… que hoje possamos estar de braços abertos para receber com amor e gratidão … todas as bênçãos lindas deste dia … que seja este abençoado com sorrisos, com amor … e com intensos gestos de carinho … que sejam abençoados todos aqueles que passarem pelo nosso caminho e que juntos possamos compartilhar os mais lindos sentimentos de amizade e afeto … que nosso coração esteja plenamente em harmonia com a paz …

Jared Hassan

Caminhando na Areia

Caminhando na areia deixamos pegadas…. Abençoados com um lindo dia de sol e temperatura amena. Iniciamos a travessia da ilha pelo lado do Atlântico Sul de águas oceânicas e agitadas. Com pensamento leve, deixamos pegadas ao atravessar aquelas praias desertas e isoladas. Ao adentrar as matas, entre morros, atravessamos terrenos rochosos, regatos, riachos, bambuzais e desviamos de muitas árvores caídas ao longo da trilha. Aventura de verdade, para limpar a alma e atiçar os sentidos, reativando os estímulos naturais e selvagem do ser. No final do dia, sentimento de missão cumprida e alegria ao chegar na praia de Parnaióca.

Com pegadas na areia deixamos…. Nossos pensamentos ao vento. Na travessia de barco até o Aventureiro a mente ainda surfou nas ondas de pensamentos daninhos, mas na caminhada do dia seguinte as preocupações ficaram ausentes. A ansiedade, comum no dia a dia da cidade, sumiram a beira-mar. Agora sim, realmente conectado ao meio. Após almoço em Dois Rios, subimos a trilha-estrada em direção a vila de Abraão. Debaixo de chuva torrencial, aceleramos os passos sem fraquejar sob as águas escorrendo na estrada. Chegamos encharcados, cansados e felizes no vilarejo de Abraão. Uma travessia que lavou o corpo e a alma!

Ciclo da Natureza

ESCURO – A noite chegou sob total escuridão. Então calmamente esperamos pela luz da lua. Ela clareou toda a orla. Um evento tão comum, e ficamos mais uma vez surpreendidos pelo luar. Perfeita sintonia entre claro-escuro.

SOMBRA – Bem antes da noite virar dia, no horizonte um faixo luminoso despontava atrás do monte. Mais uma vez o sol tomara o lugar da lua. Por um momento, lua e sol compartilharam do mesmo céu.

CLARO – Amanheceu! Humildemente agradecido pelos primeiros raios de sol. Manhã de pura juventude. Aquecido e renovado. Conexão feita. Energia fluindo. Um novo ciclo se renovou. Aurora radiante diante de olhares incrédulos.

AURORA – Saímos para fora para apreciar aquele instante. Rapidamente aquecidos.  Dia iluminado, iluminando o caminho. Agradecido de corpo e alma. Alegria e brilho interior. Com o sol na Terra, fez se a luz!

OCASO – Chegou o entardecer. Mais um ciclo se completou. Acontece todo dia mas quase não percebemos. Um espetáculo da natureza. Admirável e maravilhosa dualidade da vida.

Novo Milênio

” Em toda viagem somos marcados por algum acontecimento especial e sempre desejamos que seja bom “

Em Angra dos Reis no cais dos pescadores, embarcamos com moradores da praia do Aventureiro. Nosso destino em mais um trekking na Ilha Grande.

Partimos lentamente atravessando a baia entre belas e pequenas ilhas como Botinas e dos Porcos. O dia estava ensolarado, brisa levemente fria e mar calmo.

É sempre bom voltar no lugar onde um sonho foi realizado. Desta vez, eu vi um sonho nascendo no olhar de uma criança. Como seus pais pareciam ser amigos de todos no pequeno barco e principalmente do capitão, a criança estava bem à vontade.

O menino parecia ter um olhar de cumplicidade com o mar, com suas fantasias de criança. Um sorriso sincero. Parecia estar cochichando com o vento em planos sendo traçados nas marolas da travessia.

Tomara que o peso da idade e das responsabilidades naturais da vida, os sonhos não sejam abandonados na imensidão do mar. Que as frustrações não deixem os sonhos perdidos ao vento. Que aquele olhar longe seja apenas a esperança crescendo dentro do peito.

No meio da jornada o capitão chama o menino para dentro da cabine. Então ele assume o comando da embarcação. Um tímido sorriso se desenha naquela face. Havia uma magia naquele olhar. Um novo olhar para o horizonte de quem nasceu em um novo milênio.

Vida Caiçara

A vida caiçara é dura, mas….

Observando os barquinhos de pesca ancorados no cais, me recordo das estórias dos pescadores…

” Das longas jornadas em alto mar quando até os mais experientes são assolados pelo enjoo. O perigo das grandes ondas que lavam a alma. Onde se manter a bordo é uma luta pela sobrevivência. Vida de pescador é difícil.

A pesca artesanal está acabando devido a competição com os pescadores predatórios. Hoje em dia, sem tanto peixe, alguns vão longe para dentro do mar aberto. Outros vão embora para a cidade, na esperança de um trabalho melhor que não existe. Alguns se organizam em associações para se fortalecerem.

Existe esperança no ecoturismo sustentável para complementar a renda que não vem mais da pesca abundante. Eles resistem em suas terras e parecem felizes.”

TRAVESSIA MAMANGUÁ – CAJAÍBA – JUATINGA

Esta travessia do saco do Mamanguá, enseada da Cajaíba e ponta da Juatinga, entre Parati Mirim e praia das Laranjeiras, litoral sul do Rio de Janeiro, é um trekking singular no desafio da travessia e repleto de belas paisagens litorâneas. A travessia pode ser realizada em ambos os sentidos. Para facilitar o deslocamento, o trekking foi realizado fora da alta temporada e da estação de verão.

As trilhas bordejam encostas, em subidas e descidas pela mata atlântica, até o encontro com enseadas e praias paradisíacas. No período da tarde devido ao sol ardente e alta umidade, as paradas eram frequentes. Com isso mergulhávamos na observação respeitosa do modo de vida simples das comunidades que habitam essa região costeira. O entardecer era louvável na expectativa de cumprir o percurso, achar um acampamento para pernoite e poder contemplar mais um pôr do sol.

A vida caiçara é feliz!

Final de Tarde no Caparaó

A travessia dentro do Parque Nacional do Caparaó foi um desafio singular por diversos motivos.

A gente acha que nunca mais vai assistir um pôr do sol tão belo e magnifico devido a tantos outros que já vimos.

Puro engano, pois a cada novo pôr do sol, seja ele em qualquer lugar que seja, a emoção carrega o coração de alegria e ficamos meio que perdidos naqueles últimos instantes de luz.

Então aquele entardecer no Caparaó estava carregado de nuvens densas que se movimentavam freneticamente, desenhando coisas que foram além da nossa imaginação.

Que belíssimo final de tarde após mais uma longa jornada de trekking!