Lua Cheia

Após um longo dia de caminhada, montamos acampamento ao entardecer. Era sabido que teríamos em destaque a Lua Cheia no céu daquele final de semana.

Ela chegou durante o preparo do rancho. Timidamente saiu detrás das árvores na crista da serra. Pura admiração pela sua grandeza inundando o céu noturno.

Como sempre, a mesma face iluminada. Desta vez plenamente iluminada. Deixou o acampamento e arredores bem claro, nem foi preciso usar lanterna.

A noite ficou estonteante. Momento de contemplação e pensativo.

Desde tempos imemoriais a Lua Cheia desperta paixões e inspiração no Homo Sapiens. Foi deusa na antiguidade e continua influente no ciclo da natureza, na fertilidade dos seres vivos e no movimento e ritmo das marés. A Lua Cheia é união entre Yin e Yang, sinônimo de abundancia e natureza básica das emoções e sentimentos.

Após horas sob o luar, era como refletir luz própria. Estava pleno de energia. Era a existência humana em sintonia com o cosmos e a natureza.

No final da madrugada me levantei. Para meu espanto me chamou atenção um ponto expressivamente iluminado no céu noturno.

Estava bem alto, à Leste. Era Vênus o planeta mais brilhante no céu visível. Ele ficou por lá até antes do amanhecer.

Por toda noite a Lua Cheia correu o céu e foi cair do outro lado atrás das colinas. Vênus foi desaparecendo com o amanhecer.

Enfim, o Sol começou a despontar num facho de luz radiante. Era o princípio de um novo e brilhante amanhecer.

Lua Interior

Ao caminhar na montanha, a Lua surgiu apressadamente durante aquele entardecer. Parecia tão perto como uma mãe protetora, mas não se engane, em outras noites frias ela ficou indiferente e apática, quase não apareceu.

O vento gélido trouxe recolhimento…

Entre a Lua e a Terra as distâncias são verdadeiramente astronômicas… E certamente descuidamos de quão distante estamos de nós mesmos.

Ao amanhecer na montanha, a luz brilhou radiante. Era um novo despertar que aquentou os campistas. A Lua, esplendida no céu, permaneceu ali, até que a claridade tomou conta do dia e ela se foi.

O alvorecer trouxe desprendimento…

Como sempre não vi o lado escuro da Lua… E seguramente dentro de nós habita um lado obscuro, um manto que devemos descortinar.

Pernoite na Macela

P1070844 (Large)

Como todo ano, começamos com as trilhas fáceis e por isso, não menos belas que as mais difíceis. Escolhendo a dedo um final de semana com lua cheia, seguimos para Cunha em direção a Pedra da Macela.

P1070878 (Large)

Na rodovia Cunha – Paraty Km 66 saímos por uma estrada de terra ladeada por sítios. Após 4 km chegamos ao portão de FURNAS que mantêm no cume uma antena retransmissora. Deste ponto é proibido o acesso de veículos particulares.

P1070897 (Large)

Mochilas prontas! Água suficiente para um dia. Roupa de frio de menos, comida demais e um bom vinho. Ótima previsão do tempo. Então, por uma estrada pavimentada seguimos 2 km de subida.

P1040433 (Large)

Hora antes do crepúsculo, o céu anunciava o pôr do sol de uma lado e a lua cheia do outro! Espetáculo a parte foi o nascer do sol atrás da Ilha Grande. O jeito foi parar tudo e contemplar cada momento.

P1040418 (Large)

No topo a 1.840 m de altitude, a paisagem pode ser apenas um mar de nuvens. Entretanto, com um céu de brigadeiro, abriu-se uma vista espetacular das montanhas de Cunha, a histórica Paraty, Angra dos Reis, Ilha Grande e suas baías e ilhas.

P1040432 (Large)

Boa semana!

P1070827 (Large)