Lua Interior

Ao caminhar na montanha, a Lua surgiu apressadamente durante aquele entardecer. Parecia tão perto como uma mãe protetora, mas não se engane, em outras noites frias ela fica indiferente e apática, quase não aparece.

O vento gélido trouxe recolhimento…

Entre a Lua e a Terra as distâncias são verdadeiramente astronômicas… E certamente descuidamos de quão distante estamos de nós mesmos.

Ao amanhecer na montanha, a luz brilhou radiante. Era um novo despertar que aquentou os campistas. A Lua, esplendida no céu, permaneceu ali, até que a claridade tomou conta do dia e ela se foi.

O alvorecer trouxe desprendimento…

Como sempre não vi o lado escuro da Lua… E seguramente dentro de nós habita um lado obscuro, um manto que devemos descortinar.

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Dentro do Coração

” Dentro do coração, em uma pequena cavidade, repousa o universo “

Mahanarayana Upanishad

Eu, reflexo da minha real natureza, essência. No entanto, me vejo apegado as coisas impermanentes e perecíveis da vida. Me perco em alguma parte. Existe um cara  que caminha ao meu lado, o ego, a personalidade mascarada da ignorância existencial. Entre altos e baixos, existem expectativas externas e internas conflitantes, estados emocionais movimentando turbilhões de pensamentos. Muitas vezes empático e outras em total estranhamento. Busco o recolhimento. Algo surge, é sutil e permanente. Sereno a mente. Percebo a consciência do meu verdadeiro ser imaterial e atemporal. Em silêncio e comunhão. Ser luz.

” Volta o olhar para o teu interior. Aí reside a fonte do bem inesgotável, se o buscares sem cessar “

Marco Aurélio

Asas ao Vento

Como passageiro no mundo, busco o vazio que sempre me consome. Preso as correntes da rotina, o importante é o agora.

Então a águia voa alto na esperança de tempos melhores.

Entre voos altos e tantos outros rasantes, o medo é irrelevante. Como dessa vida não se leva nada, é hora de novos olhares para desaparecer nas nuvens.

E deixar os ventos desarranjados para trás.

O céu nem sempre está azul. O sentimento volita em novos ares. Asas ao vento, eu quero voar. Aqui não quero ficar.

Lá do alto… Aqui em baixo é tão fútil.

O pensamento anda de mãos dadas com o bem e o mal. Atenção nas armadilhas do ego. Minha alma clama, preciso voar.

Encontro o pensamento no abismo do silencio para o resgate de mim mesmo.

Desbravador – parte 3

Dizem que o desconhecido e o medo andam juntos.

No poente, temos o anuncio da noite escura, do frio intenso e dos animais que saem a caça. É hora de montar abrigo. O desconhecido e o medo ficaram lá fora…

Ao amanhecer, o sol radiante declara que a vida continua. Momento de contemplação e agradecimento por tudo e por todos os seres vivos!

Respiramos fundo e seguimos em frente, com determinação, vontade e fé.

Como caminhar é preciso, agora é hora de montar a mochila da próxima aventura.

Desbravador – parte 2

Dizem que o desbravador não tem medo do desconhecido.

Na montanha, temos que ser fortes e humildes para superar as adversidades do relevo e clima severo. Algumas vezes, temos que respeitar o que a montanha nos diz e entender que nem sempre chegaremos no cume na primeira vez.

A natureza é fascinante!

Ao amanhecer na montanha, o sol desponta no horizonte trazendo luz e calor. Do alto, o mar de nuvens seduz o espírito. O pensamento em oração contempla mais um dia de vida.

Como caminhar é preciso, vamos a última parte desta empreitada exploratória.

Desbravador – parte 1

Dizem que desbravar é ir ao encontro do desconhecido.

Na mata, mesmo que seja pela enésima vez, e a vivencia tenha nos dado alguma sabedoria, toda preparação prévia é crucial; E durante a jornada deve-se cuidadosamente executar como se fosse a primeira vez.

A natureza sempre nos reserva algo novo!

Ao amanhecer os raios de sol despertam a mata. A luz e o calor dão novo brilho aos seres da floresta. O caminho se abre e seguimos em frente…

Dentro da floresta surgem passarelas que formam tapetes de folhas, aliviando nosso caminhar. Em outros momentos todas as árvores querem nos abraçar.

Como caminhar é preciso, em algum lugar na serra da Mantiqueira, vamos adiante.

Energias da Serra

Como toda longa jornada, ao final da missão cumprida o cansaço espreita os limites da resistência. Hora de recolhimento para recompor as forças e o equilíbrio.

Então subi em direção a um refúgio distante 5 km do centro de Campos de Jordão. Bem no meio da serra, onde todas as criaturas vivas, dos animais aos pássaros, da floresta aos riachos, estão conectadas.

A compensação é caminhar ou correr. Numa delas, passei em frente a Gruta dos Crioulos e subi o Pico do Imbiri.

Na descida confundi os caminhos até chegar a estrada do Campista para poder retornar ao refúgio.

Protegido pelo refúgio, amparado no conforto da família e amigos, chegara um novo entardecer de tranquilidade e silencio.

Com a energia renovada tudo ressalta os sentidos.

Toda manhã, na copa das árvores, lá estavam o Canário-da-Terra, o Asa-Branca e o Jacu perambulando de galho em galho.

Enquanto que empoleirado nas araucárias, as Maritacas e casais de Tucano-de-Bico-Verde faziam suas algazarras.

Na mata distante ouvi macacos e o Caxinguelê passou ligeiro, subindo e descendo árvores, em busca de alimento.

Que sensação boa estar renovado pelas energias da serra!

DesConexão – parte 3

“ Ficar off-line algum tempo do dia é cuidar da saúde mental, apesar que muitos até ficam doentes se ficarem sem conexão. ”

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Em desconexão, deixamos o continente em direção a ilha. Adentramos caminhos encobertos pela mata atlântica, rodeado por enseadas, mirantes e praias de águas cristalinas.

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“ Estar off-line em algum lugar é poder mergulhar no seu íntimo. Contudo, muitas pessoas ficam com medo de fazer está conexão. ”

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Em desconexão, ouvimos estórias antigas da época dos Tupinambás e seus invasores europeus, e causos dos que viveram na época do presídio de Dois Rios.

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“ Nova desconexão é recolhimento. Silencio! O turbilhão de imagens mentais se desfaz. A mente calma, acalma a alma. ”

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Em desconexão, esse santuário natural, de Ilhagrande, reservou surpresas. Todo dia, a cada nova trilha, ouvia o grito estridente de uma Araponga e o rugido dos Bugios ecoando por toda floresta…

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Subimos o Pico do Papagaio num dia de céu de brigadeiro. Descemos até a Feiticeira e atravessamos para Dois Rios e Lopes Mendes…

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Então completamos o ciclo. Refizemos a conexão!

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