Deu a Louca na Macacada

Os Saguis-de-tufo-preto saltam de lado para outro. Aparentam ter personalidade diferente. Começam a sentar em duplas. Ficam à espreita. Tem uns menores, devem ser adolescentes. Até um bebê aparece na costa de um deles.

Eles têm pelagem estriada, uma mancha branca na testa e tufos pretos ao lado das grandes orelhas. A cauda é maior que o corpo e não usam para dependurar-se. Possuem garras afiadas que ajudam a correr e saltar nas árvores.

São muito ágeis. Alguns expressam surpresa. Um parece brincar de esconde-esconde. Dois ficam pulando freneticamente de galho em galho. Outro sagui foi olhar dentro de um tronco oco. Um sagui se aproxima e quer pegar a comida das mãos do outro.

Sempre atento aos sons da mata. Parecem olhar para o nada, mas certo de estarem vendo algo. O último a chegar sentou no galho, desinteressado ficou observando no alto das árvores. Contei uns nove.

Alguns são atrevidos. Dois descem ao chão para pegar algo e voltam rápido. O bebê não tira os olhos de mim. Que folia! Então, de supetão todos olham para baixo numa só direção. Notam um perigo e começam a emitir um som de alerta, alto e agudo.

É sinal de perigo. Frenesi na área. Saltam para mais alto nas árvores. Mãos na cabeça. Braços abertos. Deu a louca na macacada. Era uma cobra que passa lentamente sem dar a mínima. Começam a se acalmar. A vocalização aquieta-se.

Um deles perfura um tronco com os dentes, na busca de seiva. Aparentam estar bem nutridos pois a mata ciliar é rica de sementes, flores, frutos e insetos. Sem contar que também se alimentam de filhotes de aves e pequenos lagartos.

Por fim começam a ir embora. Sumiram rapidamente na mata.

Campos de São José dos Campos

O cerrado do estado de São Paulo está espalhado em ilhas de vegetação pelo interior e vale do Paraíba.

O cerrado em São Paulo é misturado com a mata atlântica e foi se perdendo com a ocupação urbana e agropecuária. Hoje ocupa apenas 1% da área do estado da qual já cobriu 14%. Este 1% é cerca de 250 mil km2 e somente 18% é protegido por unidades de conservação e reserva legal.

Felizmente, diversas universidades, institutos e ONGs estão desenvolvendo pesquisas e projetos para mapear, recuperar e conservar estes últimos bolsões do cerrado de São Paulo.

Nestes fragmentos temos o cerrado strictu sensu, de vegetação rasteira e árvores esparsas, como a gabiroba, araçá e perobinha-do-campo. Na floresta baixa e seca, conhecido como cerradão, temos a copaíba, angico e pau-terra. No cerrado de campo sujo e campo cerrado, encontram o capim e outras plantas rasteiras.

No vale do Paraíba, município de São José dos Campos temos fragmento do cerrado com ocorrência na zona sul e leste do município. A predominância é de campos de cerrado, como o campo limpo, campo sujo, campo cerrado e cerrado strictu sensu.

A relevância do cerrado aqui no vale do Paraíba, que ocupou os platôs da região, deu nome à São José dos Campos.

Que bom que em São José dos Campos existe um projeto para criar um parque público do cerrado, com uma área de 40 hectares na região sul, onde ainda mantem o cerrado endêmico e área de mata atlântica.