Pedra Ana Chata

Entre eucaliptos e campo aberto em aclive, adentramos na mata. Em constante subida, seguimos a direita na bifurcação em trecho mais inclinado. Logo deslumbramos a vista da pedra acima da copa das arvores. Em suas escarpas podíamos ver minúsculos pontos em movimento, eram os escaladores nas vias da pedra.

Atingimos a trilha principal após uma hora de caminhada e logo chegamos na entrada da gruta. Pelas entranhas da pedra, atravessamos a curta passagem e atingimos um patamar rochoso. Desse ponto, à visão do Baú e mais um escalador subindo a pedra.

Em seguida atravessamos trechos com barras, grampos e escadinhas de ferro encravados na rocha. Então fizemos um desvio a esquerda, antes de chegar no topo, para apreciar a vista na ponta do lado oeste da pedra. Na volta paramos na “janela em U” para apreciar a vista.

Finalmente atingimos o topo da Pedra Ana Chata a 1.670 metros de altitude. O contentamento é sempre bom com a paisagem que se expande numa visão ampla. Na ponta leste da pedra temos a magnifica perspectiva do Baú visto de lado.

Para completar o espetáculo, ainda temos a vista do Vale do Paiol ao lado, o município de São Bento do Sapucaí bem ao fundo e toda a serraria do sul de minas.

Esta trilha, a partir do estacionamento Chico Bento, tem a distância total de 5 km. Com paradas na subida e descida, registramos um total de 3 horas, sem contar o tempo em cima da pedra.

Terras Altas da Mantiqueira

“Caminhar nas terras altas da Mantiqueira é descobrir paisagens inesquecíveis na divisa entre São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Uma região que atrai pessoas para diversos roteiros turísticos; Do ecológico, rural, histórico, religioso ao gastronômico; Da prática de esportes outdoor de escalada, arvorismo, mountain bike, canoagem e voo livre. Aqui vamos explorar as trilhas, trekking e montanhismo.”

A Serra da Mantiqueira engloba ecossistemas remanescentes de mata Atlântica, mata de Araucária e campos de altitude. Das inúmeras nascentes formam rios e quedas d’água. As precipitações mensais chegam a 300 mm na estão chuvosas. Não é à toa que Mantiqueira, em tupi-guarani, significa “gota de chuva”, outra versão é “serra que chora” enaltecendo as nascentes e imponentes cachoeiras.

O clima é quente úmido na estação chuvosa e frio seco na estiagem. Tudo isso em harmonia com uma exuberante e diversificada fauna e flora local. A temperatura pode até chegar a uma dezena de graus negativos nos pontos mais altos. Em geral fica próximo de 0°C até 27°C. Considere ainda névoa, geada, ventos fortes e raios que assolam estas montanhas da Mantiqueira.

Esta cadeia rochosa abrange uma extensão aproximada de 500 km começando em Bragança Paulista (SP), segue a leste na divisa dos três estados, desvia em Barbacena até Serra do Brigadeiro, leste de Minas Gerais, sendo que este último estado representa 60% da extensão da serra.

A Serra da Mantiqueira é uma APA – Área de Proteção Ambiental entre os três estados, e abrange unidades de conservação como o Parques Estaduais da Serra do Brigadeiro e Serra do Papagaio, Parque Nacional de Itatiaia, Floresta Nacional de Passa Quatro e Campos do Jordão. Infelizmente ainda falta melhor conservação das áreas naturais na região do MarinsItaguaré e Serra Fina.

O relevo na Mantiqueira tem suas terras altas variando entre 1.000 a 2.800 m de altitude, nas divisas de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro. O ponto culminante é a Pedra da Mina (2.798 m), na divisa entre Lavrinhas-Queluz (SP) e Passa Quatro (MG). Enquanto que o ponto mais baixo é a Garganta do Embaú (1.133 m) na divisa entre Cruzeiro (SP) e Passa Quatro (MG).

Na Mantiqueira temos 5 dos 10 picos mais altos do Brasil, segundo o “Anuário Estatístico do Brasil 2011 – IBGE”, sendo: 4º Pedra da Mina (2.798 m), 5º Pico das Agulhas Negras (2.792 m), 8º Morro do Couto (2.680 m), 9º Pedra do Sino de Itatiaia (2.670 m) e 10º Pico Três Estados (2.665 m).

Outras montanhas de destaque são: Alto Capim Amarelo (2.570 m), Prateleiras (2.548 m), Pico dos Marins (2.421 m), Pico do Itaguaré (2.308 m), Pico do Papagaio (2.105 m), Pico do Selado (2.080 m), Pedra Partida (2.050 m), Pedra do Forno (1.970 m), Pedra do Baú (1.950 m) e Pico Agudo (1.703 m).

A Serra da Mantiqueira está bem próxima de quem mora no Vale do Paraíba ou no eixo cidade de São Paulo – sul de Minas Gerais – região serrana do Rio de Janeiro; E assim pode desfrutar de aproximadamente 50 montanhas conhecidas entre 1.700 a 2.798 m de altitude.

Apesar das montanhas na Mantiqueira não ultrapassarem os 3.000 m de altitude, isso não significa que estas montanhas são fáceis para se chegar ao topo, pois o desafio está nas suas particularidades de acesso, relevo e clima.

“Nas terras altas da Mantiqueira percorremos vales profundos e picos imponentes.          A jornada requer preparação e determinação para alcançar as montanhas              mais altas do Brasil.”

Local: Serra da Mantiqueira.

Retrospectiva – Categoria Roteiro

Ao longo destes 4 anos do Adamu Trekking tivemos a oportunidade de postar 40 artigos sobre roteiros.

Diferentemente das categorias Trekking e Corrida onde são relatos pessoais, nesta categoria Roteiro, investimos algum tempo na pesquisa do local visitado.

Em geral, descrevemos sobre a história do local, origem do nome, localização, acessos, distancias e altitudes, atrativos naturais, fauna e flora, características e nomes das trilhas.

Entre vales e picos, montanhas, selvas, desertos, cavernas e litorais, caminhamos muito, as vezes sob condições extremas de clima, para vivenciar o melhor destes roteiros.

Afinal, vamos aos destaques dos posts publicados nessa categoria, são eles:

Novos roteiros serão publicados em breve!

Forte Abraço!!!

Kleber Luz

Retrospectiva – Categoria Trekking

Esta categoria Trekking tem significado mais amplo, naquilo que posso chamar de caminhadas de curta, média e longa duração, fácil ou difícil, incluindo também as montanhas.

Na essência, os relatos transitam entre duas vertentes, a técnica e a poética. De um lado, o cuidado em escrever o que é relevante, evitando relatos extensos. Do outro lado, o desafio de externar em forma de palavras os sentidos, sentimentos, vivências, boas ou ruins, e que possam trazer algum significado.

E quanto as imagens? São poucas publicadas por post, para também não poluir a postagem. Sem pretensões, tentando ser criativo e fazendo o básico da fotografia. Apenas ‘clics’ no modo automático.

Mas posso dizer com toda certeza que a jornada tem sido auspiciosa!

Enfim, todos os lugares são especiais quando se trata da natureza; E considerando apenas os posts publicados nesta categoria, os destaques são:

Felizmente, ainda há muito que ser relatado!

Forte Abraço!!!

Kleber Luz

Novos Tempos

“Novos tempos, novos desafios!”

Por muitos anos houve cobrança dos amigos e familiares para publicar minhas experiencias e vivencias das andanças que tenho feito desde a adolescência. De fato, sempre gostei de escrever mas achava que não era o momento. Então resisti por décadas, mas em 21 de dezembro de 2012 senti que chegara o momento.

Sem nenhum compromisso e muito menos sem pesquisar e ir a fundo no assunto, comecei esse blog criando 4 páginas e 5 categorias. Não me preocupei em fazer divulgação nas mídias sociais. Porém, como tenho um ‘mailing list‘, acabei divulgando para meus contatos, onde inclusive aumentaram a partir desse blog.

“Como sempre as ideias fervilham, os projetos nascem e os resultados aparecem.”

Agora chegou a hora de dar mais alguns passos. Então, teremos surpresas para vocês que estiveram conosco! A partir deste ano teremos um novo layout, lançamento de novas categorias, estabelecimento de parcerias, estaremos nas mídias sociais e muito mais…

Bem, eu tenho um ‘timing‘ um pouco diferente, deixando as coisas acontecerem naturalmente, se assim for o caso. A ideia é simplesmente seguir caminhando.

Como gosto de números, deixo aqui alguns que representam os 4 anos do Adamu Trekking. Nada muito significativo em termos de números na web. São os seguintes:

  • Publicado 191 posts em 5 categorias;
  • Aproximadamente 1.000 imagens;
  • Cerca de 100 posts sobre relatos e roteiros de trekking, montanhismo e corridas;
  • Divulgado 263 comentários e 37 em moderação;
  • Mais de 50.000 visualizações;
  • Mais de 20.000 visitantes;
  • Mais de 40 seguidores;
  • Visitantes de 69 países dos 5 continentes;
  • Top 10 dos países visitantes são: Brasil, Estados Unidos, Portugal, Rússia, Canadá, França, Alemanha, Espanha, Argentina e Reino Unido.

Não poderia deixar de agradecer os meus seguidores, e principalmente a minha família e amigos, de corredores, caminhantes e montanhistas, que sem eles, muitos dos desafios e aventuras, nada disso teria acontecido. Vamos em frente!

Ótima semana a todos!

Kleber Luz

Pernoite no Corcovado

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Paramos o carro próximo a um campo de futebol para iniciar a nossa jornada. O GPS marcava cota 15 metros e avistamos o nosso desafio que estava a 1.180 metros de altitude, o Pico do Corcovado em Ubatuba.

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Após o campo de futebol seguimos a direita onde atravessamos um regato e na segunda bifurcação à esquerda entramos na mata. Atravessamos dois rios e continuamos na trilha a esquerda. Deste ponto adiante muito transpiração e diversão durante a subida íngreme.

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Em uma hora de caminhada chegamos à cachoeirinha, local onde captamos água e ganhamos fôlego. Logo seguimos até o mirante na pedra da Igrejinha, espaço onde temos a primeira vista do litoral e da praia Brava, e também se avista o Corcovado.

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De volta à trilha, o angulo da subida aumenta em um terreno repleto de raízes. Com a mochila cargueira nas costas a subida era a passos lentos até atingirmos uma clareira onde encontramos acesso a mais uma queda d’água.

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Seguimos subindo e alcançamos mais uma clareira, mas desta vez na crista da serra. A cada passo ganhamos visões do interior da serra e do litoral norte. Neste lugar o caminho percorre uma vegetação com muitas bromélias.

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No finalzinho, sobe-se um íngreme barranco usando a vegetação lateral como agarras. Então a crista se prolonga ao lado de um despenhadeiro. Do lado direito está a ponta do Corcovado e a esquerda encontramos o cume e um local protegido do vento para acampamento.

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A natureza singular reservou um dia quente onde o sol poente trouxe uma grande sombra do pico aos pés da serra do mar. O calor se esvaiu. Para nossa surpresa a lua cheia acentuou o contorno da serra e ampliou as luzes vindas da cidade de Ubatuba.

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Durante a madrugada fria o vento chegou forte e antes do amanhecer saltei para fora da barraca. Mais um esplêndido nascer do sol! Grato por mais um final de semana junto a uma natureza espetacular e aos amigos de fibra.

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“Subi o ponto mais alto possível e olhei pro oriente. Raios de luz despontaram atrás das montanhas. O vento ainda doía à pele. Como numa pintura o quadro se encheu de luz vermelho alaranjado que inundou o amanhecer de mais um dia.”

Parque Nacional de Itatiaia – Parte Alta

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Também conhecido como Planalto de Itatiaia. Sendo uma unidade de conservação de proteção integral da natureza, este ambiente está envolto por uma vegetação de campos de altitude e montanhas rochosas.    

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O Pico do Itatiaiaçu, popularmente conhecido como Pico das Agulhas Negras é o ponto culminante a 2.791 m de altitude. No Abrigo Rebouças já se tem uma magnífica vista da montanha.

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As Prateleiras miradas de longe, até parece um simples amontoado de rochas. Maravilhoso engano! Com 2.548 m de altitude é formado por enormes maciços de blocos de rochas com uma das vistas para o lado do Vale do Paraíba.

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A Pedra do Altar está a 2.665 m de altitude. Localização especial por estar na parte central do parque, podendo avistar os principais cumes do Planalto, seus vales ao redor e percorrer a trilha ao lado do imenso rochoso das Agulhas Negras.

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O Morro do Couto reserva uma vista sui generis do parque. Além das principais montanhas do Planalto, é possível avistar a Serra Fina. O acesso final sobe uma canaleta entre grandes blocos de pedra com fendas. O cume está a 2.680 m de altitude.

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Em todas as trilhas temos caminhadas, mas para se atingir o cume das Agulhas Negras e Prateleiras com segurança é recomendado o uso de equipamento de escalada em determinadas fases da escalaminhada.

Local: Parque Nacional de Itatiaia / RJ

Parque Nacional de Itatiaia

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O primeiro parque nacional do Brasil, o Parque Nacional de Itatiaia, foi criado em junho de 1937 pelo Presidente Getúlio Vargas.

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Situado na Serra da Mantiqueira na divisa de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. A área do parque abrange os municípios mineiros de Itamonte e Bocaina de Minas, e municípios cariocas de Itatiaia e Resende.

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A vegetação é fortemente influenciada pela altitude. A 540 metros a.n.m. predomina a floresta densa, diversos curso d’água, com fauna e flora abundante. A medida que subimos a serra, tendo seu ponto culminante a 2.791 metros a.n.m., encontramos uma vegetação rasteira e montanhas rochosas.

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Conhecida como Parte Alta, na região do Planalto de Itatiaia avista-se os campos de altitude, mananciais e montanhas. Paraíso para a prática de caminhadas, escaladas e travessias. Os atrativos naturais são o Pico das Agulhas Negras, Prateleiras, Morro do Couto, Cachoeira do Aiuruóca, Asa de Hermes, Pedra do Sino e Pedra do Altar.

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Na Parte Baixa encontram-se uma vegetação densa, cachoeiras e piscinas naturais em meio à exuberante Mata Atlântica. Os principais atrativos são o Mirante do Último Adeus, Três Picos, Lago Azul, Poranga, Maromba, Itaporani, Véu de Noiva e Centro de Visitantes.

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Com uma pitada de aventura, bom condicionamento físico, respeito a natureza e práticas seguras em atividades outdoor, podemos desfrutar ao máximo todos estes atrativos. Nos próximos posts exploraremos a Parte Alta e Baixa da Unidade de Conservação.

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Local: Parque Nacional de Itatiaia / RJ

Vale do Silêncio

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Iniciamos a subida em direção ao Vale Ascencio e me vinha à lembrança que o Paso de Los Vientos estava próximo. Realmente as fortes rajadas de vento nos deixaram alerta na descida ao Refugio Chileno.

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Degustamos algumas amêndoas e descansamos para subir em direção ao acampamento Torres. Para nossa alegria o acampamento não estava cheio e conseguimos um bom local para montar as barracas e preparar o jantar.

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Como o dia patagônico é longo, eu e mais um amigo resolvemos explorar o Vale do Silêncio. A estratégia foi avançar até duas horas de caminhada, controlando o horário de retorno para estarmos de volta ao por do sol.

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Iniciamos a trilha margeando o rio Ascencio dentro de um típico bosque patagônico. Encontramos inúmeras “lengas”, uma espécie arbórea, derrubadas pelo vento. Na caminhada tranquila chegamos ao acampamento Japonês que é usado por escaladores.

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A trilha avançou sobre uma encosta entre pedras soltas até atingir um caminho nivelado. Todo este trecho contornou o Cerro Nido de Condor. Para nossa surpresa encontramos uma belíssima flor naquele lugar inóspito.

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Ao adentrar o Vale do Silêncio, o isolamento do lugar é tomado por uma visão de montanhas nevadas e um rastro do degelo indicado por grandes faixas de pedras.

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A primeira vista temos o Cerro Tridente e depois os gigantes Cerro Escudo e mais a esquerda o Cerro Fortaleza. O vale se fecha como um grande anfiteatro tendo às costas de Torres del Paine escondidas à esquerda.

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Com o anuncio do por do sol refletindo nas montanhas e um vento gelado assolando nossa resistência, havíamos chegado ao nosso limite.

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Assim garantimos o resto da luminosidade daquele dia para retorno com segurança ao acampamento Torres.