Planalto de Itatiaia

O Morro do Couto é a 2ª montanha mais alta de Itatiaia e o 8° ponto culminante no Brasil. O nome provém do período da colonização quando os escravos fugiam das fazendas da região e subiam o morro para se acoutar, ou seja, se abrigar e refugiar.

A 2.680 m de altitude o Morro do Couto ajuda na visão 360° do planalto de Itatiaia e suas montanhas como Pedra do Altar, Pedra do Sino, Asa do Hermes, Agulhas Negras e Prateleiras, como também do Vale do Paraíba, Serra Fina e Serra do Papagaio.

Anúncios

Pico Santo Agostinho

Na busca de novas trilhas chegamos ao município de Alagoa numa bela manhã de sexta-feira. Como era final de junho, o frio típico foi espantado com um café quente. Inclusive o dia todo ficou com nebulosidade e vento gelado.

Alagoa faz divisa com Itamonte, Aiuruoca, Baependi e Bocaina de Minas, ou seja, uma região de topografia singular, repleta de montanhas e vales. A cidade está a 1.130 m de altitude e o ponto mais alto é o Pico Santo Agostinho a 2.380 m, nosso objetivo.

Então de Itamonte para Alagoa, seguimos 23 km pela estrada e desviamos a esquerda,  sentido PESP – Parque Estadual da Serra do Papagaio, por mais 8 Km até o início da trilha.

Do ponto inicial, a 1.700 m de altitude, a trilha segue numa subida constante. Existem placas indicativas e o traçado do caminho no chão é visível. A trilha é praticamente pela crista da montanha rumo ao pico Santo Agostinho, que é também conhecido como Pico do Garrafão.

Esta é uma entre muitas outras trilhas onde praticamente durante todo o percurso a vista panorâmica é de cair o queixo.

Ao chegar no pico temos a visão do Vale do Garrafão logo abaixo e o pico Mitra do Bispo, a 2.190 m de altitude, ao fundo. Além é claro de uma visão 360º das montanhas deste trecho do sul de Minas Gerais.

No retorno é só descida, então esta visão panorâmica se amplia magnificamente. Como ninguém é de ferro, fomos até a cidade comprar queijo artesanal, dado que Alagoa é considerada a “terra do queijo parmesão”.

Sobre Rochas

” Sobre rochas eu ando. Não importa se arenito, basalto ou calcário. Também pode ser granito, quartzito ou até dolomito. Mas especial mesmo é o Filito, Sienito e Xisto. Quem é quem, não sei muito bem, mas eu garanto que caminho sobre rochas.”

O trekking para o subir o Pico dos Marins é considerado de dificuldade média-pesada. Como a subida não requer equipamentos de escalada é denominada escalaminhada, ou seja, nos pontos mais difíceis será necessário o uso das mãos em rochas ou arbustos, tanto na ascensão quanto na descida. O uso de cordas pode facilitar em alguns pontos da trilha. Em outros aproveita-se as fendas e agarras, use o máximo da aderência das mãos e pés.

Como sempre, é bom estar acompanhado com alguém experiente para dar dicas, principalmente se é a primeira vez na rocha. Prepare-se para viver uma experiência única. Sentir na pele o esforço físico. Dizer que o coração vai sair pela boca. Dos músculos doerem após passarem dias da caminhada. A sensação pode ser fascinante ou horrível. Estar mentalmente positivo ajuda bastante. Por isso, caminhar sobre rochas não é para qualquer um. 

Temporada de Montanha

Em maio antecipamos o início da temporada de montanha. Com a chegada do inverno em 21 de junho, temos a melhor época para prática do montanhismo. E assim subimos para as montanhas da serra da Mantiqueira.

Diferente do verão com aquele calorão e tempestades eletromagnéticas, os dias no inverno são mais curtos, noites mais longas e temperaturas mais baixas na região sul e sudeste do Brasil.

Na região as temperaturas atingem facilmente abaixo de zero graus célsius. As geadas são comuns e com sorte podemos ter alguma precipitação de neve nos pontos mais altos da Mantiqueira.

Apaixonado pela natureza e grato por estarmos numa região tão privilegiada de montanhas e vales, entre as mais altas do Brasil, cujo cenários paisagísticos de imensa beleza são desafios contínuos para ascensão e travessias.

Celebrar o montanhismo é dar significado as coisas simples. Respeitar o meio ambiente ao ar livre. Sentir alegria em uma simples caminhada. Ter resiliência nas mais duras travessias.

Observar as cercanias e vivenciar o presente. Ter a satisfação do encontro com aqueles que compartilham da mesma paixão. Onde alguns estarão de passagem e outros se tornando amigos. Sempre na busca da melhor conexão.

Felizmente a temporada está só começando!

Montanha!

Vida Caiçara

A vida caiçara é dura, mas….

Observando os barquinhos de pesca ancorados no cais, me recordo das estórias dos pescadores…

” Das longas jornadas em alto mar quando até os mais experientes são assolados pelo enjoo. O perigo das grandes ondas que lavam a alma. Onde se manter a bordo é uma luta pela sobrevivência. Vida de pescador é difícil.

A pesca artesanal está acabando devido a competição com os pescadores predatórios. Hoje em dia, sem tanto peixe, alguns vão longe para dentro do mar aberto. Outros vão embora para a cidade, na esperança de um trabalho melhor que não existe. Alguns se organizam em associações para se fortalecerem.

Existe esperança no ecoturismo sustentável para complementar a renda que não vem mais da pesca abundante. Eles resistem em suas terras e parecem felizes.”

TRAVESSIA MAMANGUÁ – CAJAÍBA – JUATINGA

Esta travessia do saco do Mamanguá, enseada da Cajaíba e ponta da Juatinga, entre Parati Mirim e praia das Laranjeiras, litoral sul do Rio de Janeiro, é um trekking singular no desafio da travessia e repleto de belas paisagens litorâneas. A travessia pode ser realizada em ambos os sentidos. Para facilitar o deslocamento, o trekking foi realizado fora da alta temporada e da estação de verão.

As trilhas bordejam encostas, em subidas e descidas pela mata atlântica, até o encontro com enseadas e praias paradisíacas. No período da tarde devido ao sol ardente e alta umidade, as paradas eram frequentes. Com isso mergulhávamos na observação respeitosa do modo de vida simples das comunidades que habitam essa região costeira. O entardecer era louvável na expectativa de cumprir o percurso, achar um acampamento para pernoite e poder contemplar mais um pôr do sol.

A vida caiçara é feliz!

Final de Tarde no Caparaó

A travessia dentro do Parque Nacional do Caparaó foi um desafio singular por diversos motivos.

A gente acha que nunca mais vai assistir um pôr do sol tão belo e magnifico devido a tantos outros que já vimos.

Puro engano, pois a cada novo pôr do sol, seja ele em qualquer lugar que seja, a emoção carrega o coração de alegria e ficamos meio que perdidos naqueles últimos instantes de luz.

Então aquele entardecer no Caparaó estava carregado de nuvens densas que se movimentavam freneticamente, desenhando coisas que foram além da nossa imaginação.

Que belíssimo final de tarde após mais uma longa jornada de trekking!

Canto do Nema

Após uma agradável pernoite na vila do Bonete, seguimos cedo para o segundo dia da travessia Bonete Castelhanos.

A brisa que vinha do mar ajudou a refrescar aquele início de caminhada durante a subida do morro logo ao fundo da vila.

Parando para tomar folego ficamos apreciando a vida simples e calma naquele Canto do Nema.

Os barqueiros iniciando suas ocupações numa quietude só com as pequenas embarcações descansando as margens do Nema.

De volta a travessia, espreitamos novos ventos que trouxeram vigor aos andarilhos.

Presente da Bocaina

Naquele ultimo dia nos despedimos da Bocaina e descemos a serra do mar em direção a Mambucaba.

Ao raiar do sol tomamos café com o Tião e saímos ligeiro para atravessar os últimos barreiros que estavam bem encharcados devido à chuvarada que caiu a noite toda.

Antes de começar a descida da serra, para nossa alegria, um quadro emoldurado pela mãe natureza se desenhou passo a passo em muitos fotogramas naquele pequeno trecho.

Maravilha de cachoeira que se encaixou perfeitamente na moldura de raízes e cipós trazendo à tona toda sua imponência…

Demos graças mais vez!

Chave de Ouro

“Na busca dos chapadões, vales e cachoeiras, fica a certeza da fonte inesgotável de cachoeiras existentes na região da Serra da Canastra. Para fechar com chave de ouro, seguimos em direção ao paredão norte da serra, para as cachoeiras Dorico, antes Antônio Ricardo, e do Vento, também conhecida como dos Escravos”

A 22 km de São Roque de Minas, estão localizadas em área particular duas fantásticas cachoeiras. Por estrada de terra, mesmo com GPS, fomos parando a perguntando aos moradores locais até chegarmos na fazenda do Sr. Dorico, nome do atual proprietário.

A cachoeira Dorico, localiza-se dentro de um cânion que forma duas grandes quedas. A primeira queda pode ser vista logo que a trilha desce em direção ao leito do rio, exatamente acima da queda. A queda principal é a segunda, por ser mais alta, uns 45 m, e forma um magnifico poço para banho. Local onde investimos bastante tempo para aproveitar ao máximo o lugar.

A cachoeira do Vento, também encravada num cânion, está elevada no alto do paredão. Com pouco volume d’água e vento, a queda d’água se transforma num spray e muda de formato o tempo todo. Existem apenas mini poços. A vista é imponente. Pode-se ainda escalaminhar as rochas até debaixo da queda ou explorar o caminho que leva a cova onde os escravos se escondiam.

A trilha é nível médio com 300 m de elevação que chega a 1.100 m de altitude. O caminho segue a direita numa subida em diagonal e depois vira para esquerda em direção a cachoeira do Dorico. Depois voltando pelo mesmo caminho, até uma bifurcação, dobra-se a esquerda numa trilha em descida. No final subimos até a cachoeira do Vento. A distancia total é 8 km.

Com chave de ouro fechamos nossa aventura, na região da Serra da Canastra, com estas duas espetaculares cachoeiras.

Estrada Sem Fim

Na busca de novos desafios em montanha e trekking, não temos escolhas, é preciso seguir por estradas…

Que muitas vezes parecem não ter fim!

Nestas estradas temos a companhia de dois companheiros anônimos: o inexplorado e o ignorado.

O inexplorado nos deixa curioso, faz a imaginação ir longe. Quase sempre o que vemos ao longe parece impossível de ser atingido e superado. 

O ignorado é seguir adiante mesmo sabendo dos riscos associados. Muitas vezes não temos toda a experiência necessária ou relegamos a questão.

O espírito planejador e desbravador deve falar mais alto.

O importante é seguir adiante, estar alerta e saber o momento de estacionar, desviar, ou até mesmo, desistir. A humildade deve ser a companheira #1.

Por isso seja no asfalto, terra, cascalho, lama ou curso d’água, as estradas são apenas a entrada do prato principal.

No final da viagem, a estrada parece interminável, sem fim… O jeito é relaxar e aproveitar a paisagem!