Artistas da Pré-História Brasileira

Nossos ancestrais nômades caçadores-coletores habitaram selvas verdes da mata atlântica no nordeste brasileiro a mais de 10.000 anos atrás.

Certamente a caça devia ser abundante, tendo em vista as pinturas rupestres encontradas em centenas de sítios na Serra da Capivara, ao sul do estado do Piauí.

As pinturas retratam uma fauna generosa. Os painéis das pinturas nas paredes das tocas representam cenas do cotidiano como a caça, o sexo, o nascimento, a dança e rituais.

Os seres antropomórficos aparecem em cores e feitio diferente. Em algumas figuras vale a imaginação para tentar entender o que é ou o significado da cena.

As imagens são uma amostra do registro feito no Parque Nacional Serra da Capivara nas tocas do Pajaú, do Barro, do Baixão da Vaca, das Eminhas e Veadinhos Azuis, do Deitado, da Gameleira, da Saída, do Paraguaio, do Caldeirão e Baixão das Andorinhas.

A Grande Mãe

A grande mãe se debruçou….

Há séculos em ascensão aos céus, símbolo magno da vida, por vez sequiosa por águas turbulentas, se aproximou do abismo das margens úmidas.

A grande árvore se ramificou em galhos fortes na busca do sol vivo. Apesar da superioridade alcançada, se viu pendida sobre o rio Grande. Agora penetra as rochas e foge das corredeiras. Ela bebe das águas suculentas do conhecimento proibido. Ainda perene, segue corpulenta.

Agora em tempos de tempestades tardias, da primavera derradeira, as águas turbulentas buscam novos caminhos para transpor a grande mãe. Os espíritos da floresta espreitam felizes a brincadeira das águas.

Então fui descansar em seus braços, debaixo do tronco maior, ao lado das corredeiras mansas. Apenas fluido, fluindo nas corredeiras, feliz… A grande mãe me acolheu em seus braços.

A grande mãe, pura regeneração. Sem medo, ainda se avolumando com ímpeto, galhos vertendo verticalmente, incontáveis folhas morrendo e renascendo a todo instante, cíclico, fértil. Grande árvore da fonte da vida.

De raízes imensas, embrenhadas nas profundezas escuras do subterrâneo da terra. Aquele tronco descomunal, vertido na superfície, os galhos buscam forças para alcançar novamente a luz do céu. Até quando a grande mãe vai resistir à tentação das águas descomunais que chegam na próxima estação?

Logo, do tronco ceifado e inerte da grande mãe, a vida regenera num minúsculo broto verde. A morte e vida se estorvam…. É o ciclo que se renova!

Flamenguinho

O sapo flamenguinho tem sua coloração dorsal escura e rugosa, fácil ser confundido com as pedras.

O Flamenguinho é símbolo do Parque Nacional de Itatiaia pela biodiversidade e importância do 1º parque nacional brasileiro.

Seu nome popular é muito fácil quando associado a um famoso time de futebol do Rio de Janeiro, o Flamengo, dado que por baixo tem um colorido vermelho e preto.

Agora nas primeiras chuvas de outubro o Flamenguinho sai para se reproduzir. Durante o acasalamento o macho e a fêmea podem ficar abraçados por 24 horas. Ele vive em poças. É bastante ativo durante o dia.

Em pesquisas feitas em julho de 2013, foi registrado estado de dormência durante o inverno. Encontrado hibernáculos com até 15 cm de profundidade no solo e barranco. Eles estavam imóveis e levaram 15 min para se locomoverem. Por outro lado, não descartam a adaptação em baixa temperatura ou condições secas da estação.

Então cuidado ao caminhar nas trilhas do parque porque o Flamenguinho estará ativo até março, quando após as chuvas de verão, o sapinho volta a se enterrar para entrar em estado de hibernação durante o inverno.

Monumento Natural Mantiqueira Paulista

Caminhantes nas montanhas da Mantiqueira, com frequência, falam sobre a importância da criação de uma unidade de conservação na localidade entre o Pico dos Marins e Pico do Itaguaré.

Então, em junho de 2020, foi publicado no diário oficial a resolução SIMA-33 sobre os procedimentos para criação do Monumento Natural Mantiqueira Paulista, nos municípios de Cruzeiro e Piquete, São Paulo.

A estória é mais ou menos assim…

Tudo começou em 2015 quando a Secretaria do Meio Ambiente criou o Grupo de Trabalho Mantiqueira para desenvolver estudos e propostas de proteção, conservação, desenvolvimento sustentável, e dos aspectos ambientais e socioeconômicos, a partir da cota 800 m da Serra da Mantiqueira entre Pindamonhangaba, Guaratinguetá, Piquete, Cruzeiro, Lavrinhas e Queluz.

No âmbito do Grupo de Trabalho Mantiqueira, as prefeituras de Cruzeiro e Piquete, solicitaram a criação respectivamente do Monumento Natural Pico do Itaguaré e Pico dos Marins. Em 2019, a Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente solicitou que a Fundação Florestal coordenasse um estudo para avaliar o pedido das prefeituras.

A proposta considerada mais adequada foi a criação da Unidade de Conservação de Proteção Integral, na categoria Monumento Natural – MONA, abrangendo a área de vegetação da Serra da Mantiqueira em Cruzeiro e Piquete.

Como o MONA tem objetivo preservar sítios naturais raros, singulares ou de grande beleza cênica, o Monumento Natural Mantiqueira Paulista teve proposta final discutida em Audiência Pública com área final protegida de 10.371 hectares.

As principais justificativas para criação da MONA Mantiqueira Paulista são:

  • A Mata Atlântica é um “hotspot” mundial de biodiversidade dado as ameaças para conservação ambiental;
  • A Serra da Mantiqueira é um patrimônio natural de biodiversidade com centenas de espécies da fauna, flora e aspectos geológicos especiais;
  • O bem-estar humano é favorecido pelo fornecimento dos mananciais, regulação climática, proteção do solo e produção de alimentos no Vale do Paraíba;
  • O aspecto cultural é singular com o turismo, a paisagem e valores religiosos da região.

Portanto, com a deliberação das diretrizes de gestão da unidade, vamos aguardar a criação final da unidade e do plano de manejo para definir as regras de gestão do Monumento Natural Mantiqueira Paulista.

Fonte: Proposta de Criação do MONA Mantiqueira Paulista e Resolução SIMA-33.

Reflexões sobre o Meio Ambiente

Hoje é Dia Mundial do Meio Ambiente. Apesar de tanta conturbação social mundial diante da pandemia do novo coronavírus e protestos contra a segregação racial nos EUA, este tema merece reflexão.

Felizmente, eventos para comemorar este dia, estão acontecendo através de lives, webinars e redes sociais. Importante interação entre diversos setores governamentais e da sociedade civil, através de debates para conscientização das pessoas.

Considerando que somos uma super população de quase 8 bilhões de pessoas e que os recursos naturais são finitos, não podemos fazer vista grossa neste assunto. A saúde humana é totalmente dependente da saúde do planeta Terra.

Como disse Carl Sagan:

” O azul-pálido desse pequeno mundo que conhecemos… É a nossa casa. Somos nós…. O nosso planeta é um pontinho solitário na grande escuridão cósmica circundante. Em nossa obscuridade, no meio de toda essa imensidão, não há nenhum indício de que, de algum outro mundo, virá socorro que nos salve de nós mesmos. “

Independente de irmos colonizar Marte, precisamos reformular um mundo melhor para todos que moram nesse ponto azul da Via Láctea.

Filhote Curioso

Do alto um salto. Era um sagui com seu filhote nas costas. Ele passa na frente dos outros e se posiciona em um tronco.

Então o filhote pula das costas da mãe e ensaia uma corrida no tronco. Está curioso. De olhar esbugalhado estuda dar um pinote.

Pelo mesmo caminho ele corre de volta. Aparenta medo. Escala as costas da mãe em busca de proteção. Que filhote curioso!

Deu a Louca na Macacada

Os Saguis-de-tufo-preto saltam de lado para outro. Aparentam ter personalidade diferente. Começam a sentar em duplas. Ficam à espreita. Tem uns menores, devem ser adolescentes. Até um bebê aparece na costa de um deles.

Eles têm pelagem estriada, uma mancha branca na testa e tufos pretos ao lado das grandes orelhas. A cauda é maior que o corpo e não usam para dependurar-se. Possuem garras afiadas que ajudam a correr e saltar nas árvores.

São muito ágeis. Alguns expressam surpresa. Um parece brincar de esconde-esconde. Dois ficam pulando freneticamente de galho em galho. Outro sagui foi olhar dentro de um tronco oco. Um sagui se aproxima e quer pegar a comida das mãos do outro.

Sempre atento aos sons da mata. Parecem olhar para o nada, mas certo de estarem vendo algo. O último a chegar sentou no galho, desinteressado ficou observando no alto das árvores. Contei uns nove.

Alguns são atrevidos. Dois descem ao chão para pegar algo e voltam rápido. O bebê não tira os olhos de mim. Que folia! Então, de supetão todos olham para baixo numa só direção. Notam um perigo e começam a emitir um som de alerta, alto e agudo.

É sinal de perigo. Frenesi na área. Saltam para mais alto nas árvores. Mãos na cabeça. Braços abertos. Deu a louca na macacada. Era uma cobra que passa lentamente sem dar a mínima. Começam a se acalmar. A vocalização aquieta-se.

Um deles perfura um tronco com os dentes, na busca de seiva. Aparentam estar bem nutridos pois a mata ciliar é rica de sementes, flores, frutos e insetos. Sem contar que também se alimentam de filhotes de aves e pequenos lagartos.

Por fim começam a ir embora. Sumiram rapidamente na mata.

Era uma vez em Paraty

Século 16 e 17

Era uma vez a trilha dos Goianás, um caminho dos Guaianás, que ligava a aldeia no Vale do Paraíba ao litoral de Paraty. Depois com a sesmaria doada por Maria Jácome, de povoado do Morro do Forte a vila de Nossa Senhora dos Remédios de Paraty. Inicio do cultivo da cana-de-açúcar e produção de aguardente.

Século 18 e 19

O transporte do ouro das Minas Gerais, pela trilha do ouro, atravessava a Garganta do Embu, Vale do Paraíba e Serra do Mar até Paraty. Com a Estrada Real, pela Serra dos Órgãos, este caminho novo leva o ouro direto para o Rio de Janeiro embarcar para Portugal. O tráfico de escravos para o interior continua pelo caminho velho. Em Paraty o comércio decai e a produção de cachaça aumenta. Os paratienses são atendidos pelo rei de Portugal que reabre o caminho velho para o trasporte de mercadorias.

Com o ciclo do café, os navios trazem as riquezas da Europa, em especiarias, azeite, sal e vinho para os Barões do Café. Do Vale do Paraíba o café embarca para Portugal. Um novo ciclo de prosperidade renasce na vila que foi elevada a cidade de Paraty pelo imperador Pedro II. Com a chegada da ferrovia para escoar os produtos entre São Paulo e Rio de Janeiro e o fim da escravatura, o cultivo do café e cana-de-açúcar ficam estagnados, ocorre uma grande emigração e novo ciclo de decadência.

Século 20

A cidade de Paraty renasce na reabertura de Cunha-Paraty e depois na construção da Rio-Santos, para um turismo voltado ao patrimônio arquitetônico colonial preservado, de mata atlântica exuberante, trilhas, cachoeiras, praias, ilhas e Centro Histórico que respira arte e cultura.

Canoa Caiçara

Canoa caiçara, lá estava ela, solitária naquela imensidão de floresta, mangue e mar.

O pescador e mestre caiçara tinha acabado de ancorar sua canoa azul, vermelha e branca. 

O mestre caiçara havia comentado como foi esculpido artesanalmente, a partir de um tronco de árvore, aquela bela canoa.

O caiçara demonstrava sabedoria e respeito a natureza, pela transformação da árvore em uma canoa.

Lá vem Ele (O Barco)

Ancorado em águas tranquilas ele se recupera da jornada em mar aberto, dos dias e noites agitadas em águas turbulentas.

No trabalho duro e na esperança voltam carregado com pescado de qualidade, para seguir navegando e garantir o sustento da família.

Enquanto isso a canoa caiçara desliza suave na força da remada. A passeio ou trabalho, o encanto se faz quando ela aparece nas estórias dos pescadores.

E no vai e vem frenético das embarcações, o ronco dos motores espanta o som da natureza, e reforça o meio de transporte mais comum por estas águas.

Mas o bom mesmo é ficar lado a lado, até parece prosa de velhos amigos, em águas calmas, para contar aquelas estórias de pescador.