Deu a Louca na Macacada

Os Saguis-de-tufo-preto saltam de lado para outro. Aparentam ter personalidade diferente. Começam a sentar em duplas. Ficam à espreita. Tem uns menores, devem ser adolescentes. Até um bebê aparece na costa de um deles.

Eles têm pelagem estriada, uma mancha branca na testa e tufos pretos ao lado das grandes orelhas. A cauda é maior que o corpo e não usam para dependurar-se. Possuem garras afiadas que ajudam a correr e saltar nas árvores.

São muito ágeis. Alguns expressam surpresa. Um parece brincar de esconde-esconde. Dois ficam pulando freneticamente de galho em galho. Outro sagui foi olhar dentro de um tronco oco. Um sagui se aproxima e quer pegar a comida das mãos do outro.

Sempre atento aos sons da mata. Parecem olhar para o nada, mas certo de estarem vendo algo. O último a chegar sentou no galho, desinteressado ficou observando no alto das árvores. Contei uns nove.

Alguns são atrevidos. Dois descem ao chão para pegar algo e voltam rápido. O bebê não tira os olhos de mim. Que folia! Então, de supetão todos olham para baixo numa só direção. Notam um perigo e começam a emitir um som de alerta, alto e agudo.

É sinal de perigo. Frenesi na área. Saltam para mais alto nas árvores. Mãos na cabeça. Braços abertos. Deu a louca na macacada. Era uma cobra que passa lentamente sem dar a mínima. Começam a se acalmar. A vocalização aquieta-se.

Um deles perfura um tronco com os dentes, na busca de seiva. Aparentam estar bem nutridos pois a mata ciliar é rica de sementes, flores, frutos e insetos. Sem contar que também se alimentam de filhotes de aves e pequenos lagartos.

Por fim começam a ir embora. Sumiram rapidamente na mata.

Era uma vez em Paraty

Século 16 e 17

Era uma vez a trilha dos Goianás, um caminho dos Guaianás, que ligava a aldeia no Vale do Paraíba ao litoral de Paraty. Depois com a sesmaria doada por Maria Jácome, de povoado do Morro do Forte a vila de Nossa Senhora dos Remédios de Paraty. Inicio do cultivo da cana-de-açúcar e produção de aguardente.

Século 18 e 19

O transporte do ouro das Minas Gerais, pela trilha do ouro, atravessava a Garganta do Embu, Vale do Paraíba e Serra do Mar até Paraty. Com a Estrada Real, pela Serra dos Órgãos, este caminho novo leva o ouro direto para o Rio de Janeiro embarcar para Portugal. O tráfico de escravos para o interior continua pelo caminho velho. Em Paraty o comércio decai e a produção de cachaça aumenta. Os paratienses são atendidos pelo rei de Portugal que reabre o caminho velho para o trasporte de mercadorias.

Com o ciclo do café, os navios trazem as riquezas da Europa, em especiarias, azeite, sal e vinho para os Barões do Café. Do Vale do Paraíba o café embarca para Portugal. Um novo ciclo de prosperidade renasce na vila que foi elevada a cidade de Paraty pelo imperador Pedro II. Com a chegada da ferrovia para escoar os produtos entre São Paulo e Rio de Janeiro e o fim da escravatura, o cultivo do café e cana-de-açúcar ficam estagnados, ocorre uma grande emigração e novo ciclo de decadência.

Século 20

A cidade de Paraty renasce na reabertura de Cunha-Paraty e depois na construção da Rio-Santos, para um turismo voltado ao patrimônio arquitetônico colonial preservado, de mata atlântica exuberante, trilhas, cachoeiras, praias, ilhas e Centro Histórico que respira arte e cultura.

Terra Firme

” O sol abraçou o amanhecer e fui remar naquele oceano imenso. Navegava em água mansa de céu azul-fino. Tentava fitar as últimas estrelas da manhã. Remava na medida do meu tempo e pensamentos.

O mar inundou as margens. O mangue desvaneceu. 

Percebi que navegava em direção a grande montanha. Estava sendo engolido pela mata. As ilhotas ficaram na retaguarda e as margens cada vez mais estreitas. A natureza trasbordava e gritava com seus encantos em todos os cantos. 

Navegava em oceano antigo. 

Cansado de remar percebi como a montanha se agigantou. Fiquei aos seus pés. Contemplei sua grandeza em silêncio. Sem precisar do tempo entendi que era hora de retornar.

Naquele momento um boto emergiu do nada.

Após o susto, foi divertido ele nadar ao lado. Então notei a montanha tão distante. Onde foi parar aquela grandeza? Por um instante fiquei pensativo, à deriva. 

Exausto, reuni forças para terminar o percurso e voltar a terra firme. “

Pedras Pé-de-Moleque

Andar nas pedras Pé-de-Moleque é voltar no tempo de antigamente, do Brasil Colônia, é caminhar sobre pedras irregulares no Centro Histórico de Paraty.

Como Paraty foi planejada por militares portugueses, os casarões e sobrados foram construídos acima do nível da maré alta para evitar inundações e as ruas em formato de canal para facilitar o escoamento da água do mar.

O casario colonial é bem preservado, com paredes de adobe, pintadas em branco, portas e janelas em moldura de madeira ou pedra, pintadas em cores fortes, faixadas com desenhos geométricos em relevo e beirais largos que relembram as construções portuguesas.

Caminhar no Centro Histórico de Paraty é se encantar por um conjunto arquitetônico histórico, sua cultura e natureza preservada.

Local: Paraty – Rio de Janeiro.

Nota: Paraty e Ilha Grande foram declaradas Patrimônio da Humanidade pela Unesco em 5 de julho de 2019.

Ponta Negra

Para apreciar e trilhar com toda calma do mundo. A Ponta Negra é um sossego, de vila caiçara simples e mar esverdeado. Um cantinho especial do litoral de Paraty.

Ao entardecer, na areia quente, entre um mergulho no mar e outro no córrego do Caju, de água doce refrescante que desce a montanha até a praia, para espiar o pôr do sol cair lentamente no mar. Mas é preciso caminhar oito quilômetros das Laranjeiras até a Ponta Negra. Vale a pena cada passo.

O trajeto atravessa encostas montanhosas de Mata Atlântica, regatos, riachos, cachoeiras e praias singulares como a do Sono, Antigos, Antiguinhos e Galhetas, até chegar na Ponta Negra. Na redondeza também vale a pena explorar a cachoeira das Galhetas e do Saco Bravo.

Depois é descansar no camping da Branca. Enfim, a Ponta Negra é um lugar para esquecer do mundo…

Pedra de São Domingos

A Pedra de São Domingos se eleva a 2.050 m de altitude entre os municípios de Córrego do Bom Jesus, Paraisópolis e Camanducaia, no extremo sul de Minas Gerais.

Acesso por estrada rural, partindo de Gonçalves ou Cambuí, distante 20 km até o topo. A partir do km 15, somente veículo 4×4 em subida íngreme com trechos em chão de cimento.

Por trilha, distante 15 km de Gonçalves e 7 km de trilha via Otaviano’s Rancho.

No cume estão instaladas antenas de comunicação.

O espetáculo fica por conta da vista panorâmica de quase 360º.

Em dias claros, avista-se o Córrego do Bom Jesus, Cambuí (altitude 860 m) e Gonçalves (altitude 960 m).

Quanto as montanhas, avista-se a Pedra do Baú (altitude 1.950 m), o Pico do Selado (altitude 2.080 m) e toda extensão deste trecho da Serra da Mantiqueira.

Local: entre Córrego do Bom Jesus, Paraisópolis e Camanducaia – MG.